Agora em maio de 2019, o grupo Síntese lançou o single “Lei Dos Céus” com o incrível retorno rapper Léo. Com a lírica sempre profunda e filosófica o novo som é de tirar arrepios. Com a volta do integrante os fãs vieram ao delírio, o som não passa de um mês desde sua data de lançamento e já contabiliza mais de meio milhão de visualizações

O single vem com um vídeo clipe muito bem elaborado, com lindos takes e fotografia. Dirigido, fotografado e editado pelo Moysah. Com produção do Trhoo Hippi, Mixado pelo DJ Willião e masterizado por AudioFusion – Bureau.

Pra você que ainda não está a par do que houve. No dia 27 de setembro de 2018. O Neto, integrante do grupo Síntese, postou na página do grupo do Facebook a explicação do que havia ocorrido com o outro integrante, Léo.

Neto “Sobre Leonardo Irian

Pra quem não sabe, Léo escreveu e interpretou “Se Escute”, “Pro Que Vier”, “Perdão e Gratidão” e mais um monte de músicas do Síntese.
O Léo é a outra metade. É a entidade. É o Jesus do bagulho.

Nunca falei muito sobre o drama familiar que vivemos com o Léo, mas depois de ontem, senti de compartilhar um pouco da história. Pra quem ama ficar sabendo e fortalecer conosco a corrente de orações.

Leonardo Irian criou o Síntese comigo, e é o meu melhor amigo nessa vida.
Em 2012, Léo desenvolveu esquizofrenia, uma doença mental sem cura e, no caso dele, hereditária.
De lá pra cá, foram várias fases, vários estágios da doença, várias internações, vários acontecimentos e muito drama. Um processo extremamente traumatizante para todos, descobrir essa doença e aprender a lidar com ela entre nós.
Os transtornos da mente são muito pouco discutidos e muito mal compreendidos. Ainda falta muita sensibilidade pra tratar desse assunto. O Léo nunca usou droga química. É coisa do espírito. É coisa da mente.

Ano passado, Léo foi preso. Funciona uma biqueira do lado da casa dele e da mãe dele. O Léo tava na porta de casa fumando, quando chegaram uns policiais a paisana. Todo mundo correu. Por causa do remédio e do fumo, o Léo estava bem relapso na época. Não teve reação e não conseguiu se comunicar direito. Segurou esse BO horrível e injusto. Léo nunca traficou. Ele foi forjado na porta de casa.

Entramos com advogado e fizemos de tudo para que ele pudesse responder em liberdade. Fizemos o maior corre, usamos todos os recursos que nós tínhamos, mostramos as provas das diversas internações dele, da medicação constante, do auxílio doença que ele recebe do governo, da interdição pela justiça (a mãe responde por ele legalmente desde 2013), a entrada na aposentadoria por invalidez mental, os milhões de visualizações, dezenas de tatuagens da “Se Escute” etc.
Conseguimos a liberdade provisória.

Nos três meses que ele ficou no CDP, ele ficou muito mal. Mas assim que saiu, ele voltou a morar com a mãe, a tomar a medicação certinho e começou a melhorar bastante. Voltou a andar de skate, e a ter vontade de fazer umas músicas. Fazia tempo que não o víamos assim.

Durante essa época, eu estava morando em São Paulo. Quando eu vinha pra São José, a gente trampava junto as letras que ele escreveu na cadeia e começamos a esboçar umas músicas.
Culminou, que depois do último acontecimento público envolvendo meu nome, a pouco mais de dois meses, eu retornei pra São José devastado. O Léo já logo colou me salvando. Começamos a fazer música junto todo dia, se curar junto novamente num processo cabuloso, e mentalizar o terceiro álbum do Síntese.

Na mesma semana do escândalo, entrou uma promotora nova em SP. Ela derrubou a decisão da juíza, a liberdade provisória que conseguimos pro Léo, e já emitiu um mandato de prisão aqui pra São José.
Tinha um mandado contra ele, um B.O. contra mim, uma avalanche de negatividade, o Síntese atravessando essa provação, e sem dinheiro pra se defender. Tudo o que restou ali pra nós foi a fé e a música.

Nos fechamos aqui na Zona Sul de São José dos Campos e fizemos mais de 20 músicas. O Léo até voltou a estudar pra terminar o colegial.
Firmão. Rezando e criando. Vivendo um dia de cada vez sem poder tomar enquadro, e orando pra não chegar ninguém na casa dele. Mas chegou… A DIG veio cumprir o mandato.
Ontem Léo foi preso.

Não tô contando isso pra forçar empatia nem pra fazer campanha. É a vida real. Tô contando isso, porque depois dessa fase de extrema exposição que eu vivi nos últimos tempos, vi que ninguém sabe de nada do que se passa.
Mas pensa, imagina, julga… Passam por cima de qualquer resquício de humanidade dentro delas pra se sentirem numa posição que se permitem faltar com o respeito à história, ao sentimento e à vida de alguém.

Tô contando também porque o Léo é um dos maiores. Quem sente, sabe… São milhões de visualizações, centenas de tatuagens e milhares de mensagens com testemunhos mostram que o Léo SALVOU MUITAS VIDAS com a obra que a gente construiu.

O Léo não pode ficar preso. Lá ele não tem o respeito e o cuidado que precisa e merece. Cadeia no Brasil é o inferno. Descaso absoluto. O Léo necessita de tratamento, e isso não envolve só a medicação.
O Léo não é criminoso. O BO não era dele. O que o Léo é, é preto, pobre, um dos maiores letristas do Brasil e uma das melhores pessoas do mundo.

Liberdade para Leonardo Irian.”