“Ser o primeiro coroado da Batalha do Rei pra mim foi uma oportunidade maravilho­sa. Minha visão sobre essa ba­talha é a seguinte: Fico feliz em ter uma batalha fixa, que abre oportunidade para vários MC’s de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade e região,” disse Sabotinha em entrevis­ta ao Diário da Manhã em 2016 após ser vencedor da Batalha do Rei, no evento King Size Rap Session.

Aos 17 anos, considerado uma grande promessa do Rap Goiano, Kaíque Liberato de Melo, trilhava seu sonho de viver da música, o apelido “Sabotinha” vinha além da semelhança física, também de sua grande inspiração no ícone do Rap Nacional,  Sabotage, morto em 2003.

O sonho de Kaíque foi suspenso e pode ter chegado a um fatídico fim assim como o de Sabotage. Em novembro de 2017 homens armados invadiram sua casa no bairro Colina de Homero, em Aparecida de Goiânia. O trio estava vestido de preto, com bonés e óculos escuros, abriu o portão sob os gritos de: “Não corre, não. É polícia”. Enquanto pediam para Sabotinha entregar uma arma e ameaçá-lo de prisão, o irmão dele, Kamn Liberato, ficou deitado no chão da cozinha de costas, em silêncio, com medo de morrer. Os homens subiram no telhado e reviraram a casa. Nada foi encontrado, alegando possuírem um mandato de busca e apreensão Sabotinha, que não tinha nenhuma passagem e envolvimento com o crime, foi levado em um Ford Fiesta preto descaracterizado e nunca mais foi visto.

A busca pode ter acabado da pior maneira

Na última quinta-feira, 25/10, foram encontrados restos mortais na Fazenda Santo Antônio, na zona rural de Aparecida de Goiânia, na divisa com o Município de Hidrolândia, a 22,3 km da casa de Sabotinha e que podem ser do rapper desaparecido.

No meio dos ossos, peritos do Instituto Médico Legal (IML) de Aparecida de Goiânia encontraram o que restou de uma camiseta do Goiás Esporte Clube, uma bermuda e um piercing de língua. A família confirma que o jovem usava piercing na língua, que usava bermuda, mas não se lembra se na ocasião ele vestia a camisa do Goiás.

O pai de Sabotinha, Jonas Melo, foi ao IML de Aparecida e deu “90% de certeza” de que os restos sejam do filho. Material genético será colhido para confirmar ou não se os restos mortais tratam-se de Kaique. “A gente fica esperançoso, mas precisamos esperar”, disse ao jornal Portal Dia Online. “É chato, triste. Ele era um menino de 17 anos e acontece um troço desses. Ele era inteligente e tinha um futuro. É difícil explicar porque acabou de repente”, concluiu o pai. A família, que já inclusive mudou de cidade, evita dar entrevista por temer pela vida do outro filho, Kamn, que é a única testemunha do que aconteceu.

O titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Valdemir Branco, informou que será necessário aguardar os resultados para que as investigações possam continuar.