BlocoNaRua - Foto Divulgação

Dário Inerente Lança “Bloco na Rua”, Um Retrato Sonoro do Sul da Bahia com Alma e Boombap

O rap nacional, que surgiu no Brasil na década de 1980, inicialmente na cena de…

O rap nacional, que surgiu no Brasil na década de 1980, inicialmente na cena de São Paulo com grupos como Racionais MC’s e Thaíde & DJ Hum, consolidou-se como uma voz potente para as periferias, denunciando desigualdades e celebrando a resistência. Hoje, essa cultura se expande por todo o país, ganhando novas identidades e sotaques. É nesse cenário que o rapper Dário Inerente emerge do Sul da Bahia para apresentar seu álbum de estreia.

O Grito das Ruas de Ilhéus e Itabuna

O rapper Dário Inerente lança “Bloco na Rua”, um trabalho que levou três anos para ser concluído. O álbum é o resultado de uma jornada de luta para pavimentar a cena musical no Sul da Bahia, uma região rica em cultura e história, terra natal de Jorge Amado. A obra reflete a identidade e as vivências das ruas, praias, asfaltos e periferias dessa parte do Brasil que, como o próprio disco sugere, “o Brasil não conhece”.

Composto por 13 faixas, o disco é uma imersão na mais pura essência do rap. Inerente assume a produção de oito batidas, mostrando sua versatilidade ao lado de nomes como Barba Negra, Gvtx, Pedrvso e Neto (do grupo Síntese). A sonoridade do álbum navega entre o clássico boombap, com samples de jazz, e o inovador drumless, enriquecido com efeitos sonoros, colagens e a parte orgânica do saxofone tocado por Zezo Maltês, músico local de Ilhéus.

Vivência, Lirismo e Referências

“Bloco na Rua” é uma obra individual e coletiva ao mesmo tempo. As letras, carregadas de alma, revolta, paixão e malandragem, são um espelho da trajetória do MC, criado entre a cena de rap e skate local. Dário Inerente transcreve para o papel a vivência de quem andou pelas diversas ruas do litoral sul baiano, e a sua arte se torna um grito das ruas de Itabuna e das praias de Ilhéus.

No disco, Dário Inerente afirma: “Tive que ter rua pra poder ter rima.” A frase resume a profundidade lírica do projeto, que, embora cite o “Eu” diversas vezes, fala por todos que compartilham das mesmas experiências. A obra se assemelha ao ímpeto dos “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, e se apresenta como o movimento de uma juventude que busca liberdade e vida através do rap e da cultura hip-hop.

O álbum conta com a única participação vocal de Davzera na faixa “Dendê”, enquanto o DJ Noé contribui com scratchs em duas faixas, adicionando um elemento fundamental da cultura hip-hop. As texturas sonoras e a maturidade nas batidas e timbres criam um universo lírico que fala tanto quanto as palavras, transformando a música em um conto da beleza e dos escombros do Sul da Bahia.

Ouça “Bloco na Rua” aqui:

Ficha Técnica:

  • Gravado por: Digital Apparatus em Ilhéus
  • Mixado e Masterizado por: Mr. Lagos (Studio M.L.B.P) em Itacaré
  • Escrito por: Dário Inerente em Itabuna
  • Produzido por: Dário Inerente, Barba Negra, Gvtx, Neto (Síntese) e Pedrvso
  • Participações especiais: Davzera (em “Dendê”, faixa 10), DJ Noé (faixa 06 e 09)
  • Capa e identidade visual por: Augusto Santos (Method)
  • Selo: Braçalismo
  • Produção Executiva: QG do Horizonte

“Bloco na Rua” é mais do que um álbum; é um manifesto da nova geração do rap que, do litoral baiano, mostra que a cultura hip-hop continua a ser uma ferramenta de expressão e transformação social.