Foto Créditos: Christiane Forcinito

TrabalhaDORES: Ônibus da Zózima Trupe Estaciona em São Caetano do Sul para Sessões Gratuitas de Ópera Marginal

Com 18 anos de pesquisa sobre o transporte público como agente de transformação social, a…

Com 18 anos de pesquisa sobre o transporte público como agente de transformação social, a Zózima Trupe realiza a circulação gratuita da ópera marginal TrabalhaDORES, estreada em 2024. O espetáculo homenageia motoristas e cobradores de ônibus, categoria que liderou as mortes por Covid-19 e foi uma das últimas a ser vacinada. Após passar por cidades do interior, Sesc Ribeirão Preto, Sesc Jundiaí e Praça Roosevelt, a obra chega ao ABCD Paulista com três sessões gratuitas dentro do ônibus-cenário no Parque Linear Kennedy (São Caetano do Sul), nos dias 29 e 30/11 e 5/12, sempre às 20h — esta última com acessibilidade. Ingressos gratuitos!

Com residência no Terminal Parque Dom Pedro II desde 2007, o grupo transforma o ônibus em palco para discutir desigualdades enfrentadas por quem depende do transporte coletivo. “Durante a pandemia, muitos seguiram trabalhando sem proteção, o que levou a inúmeras mortes, inclusive de motoristas e cobradores”, diz o diretor Anderson Maurício.

Entre 2022 e 2023, a criação envolveu ampla escuta com psicanalistas como Maria Rita Kehl, Leopoldo Noseki e Claudia Barral, além de depoimentos de trabalhadores e ações de autocuidado. O material originou um manifesto sonoro-teatral. A dramaturgia, de construção colaborativa, tem costura final de Anderson Maurício e textos de Marcelino Freire, Ermínia Maricato e Nabil Bonduki.

Sobre a encenação

De acordo com Anderson, TrabalhaDORES se divide em dois momentos. O início é mais sombrio e dolorido, com o elenco aparecendo como os fantasmas das pessoas que morreram durante a pandemia. Ao mesmo tempo, a maquiagem em tons de cinza remete à fuligem e à cidade que devora seus cidadãos sem piedade.

Entretanto, a obra também se apresenta como um meio de interpretar as dores e o sofrimento. “Como retomar a vida depois de tudo aquilo? Foi essa questão que nos moveu. Por isso, tem um momento do espetáculo em que tudo ganha cor e vira uma grande celebração”, comenta o diretor.

A montagem acontece no tradicional ônibus da companhia e ainda conta com recursos de video mapping, com uma bateria em cena e com dois cantores líricos (Cristiane Mesquita e Marcello Mesquita) – além do elenco da Zózima (Anderson Maurício, Cleide Amorim, Junior Docini, Priscila Reis e Tatiane Lustoza).

Com o espetáculo, a Zózima verbaliza o silêncio da classe trabalhadora diante da violenta tentativa de invisibilizar as urgências de manutenção pela sua sobrevivência, além de enunciar os corpos estruturalmente desumanizados que anseiam resgatar a vida em sua plenitude.

Sinopse

Durante a pandemia, o ônibus não parou e seguiu seu itinerário. Em suas lotações, cada vez mais ausências. O luto não-vivido divide espaço com a indignação. O espetáculo ocorre dentro de um ônibus, num tempo suspenso, um manifesto operístico-multimídia sobre morte, vida e movimento.