
Sizwe Banzi está morto: Peça reflete sobre a desumanização e a segregação racial
Idealizado por Réggis Silva e protagonizado por Carlos Francisco, espetáculo entra em temporada no Galpão…
Idealizado por Réggis Silva e protagonizado por Carlos Francisco, espetáculo entra em temporada no Galpão do Folias com trilha de Rincon Sapiência e foco na tradição dos griôs.
A partir do dia 26 de fevereiro de 2026, o Galpão do Folias, em São Paulo, recebe a montagem de “Sizwe Banzi está morto”. Escrita originalmente em 1972 por Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona, a obra é um contundente retrato das injustiças do apartheid na África do Sul, trazida agora para o contexto brasileiro pelo ator e idealizador Réggis Silva.
Com direção de Ricardo Rodrigues (conhecido pelo trabalho em Prot{agô}nistas), a peça estabelece um diálogo direto com a figura dos djélis — conhecidos como griôs no oeste africano —, que são os guardiões da memória e da narrativa oral. A experiência cênica ganha ainda mais potência com a trilha sonora assinada pelo rapper Rincon Sapiência.
Identidade e sobrevivência no palco
No centro da trama está o estúdio fotográfico de Styles, em Porto Elizabeth. É neste cenário que Sizwe Banzi, pressionado pelas regras opressivas de uma sociedade segregacionista, vê-se obrigado a abdicar de seu próprio nome e legado. Para garantir o sustento de sua família, ele assume a identidade de um homem morto, Robert Zwelinzima.
O elenco traz Carlos Francisco, premiado como Melhor Ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (2023) por Marte Um e integrante do longa O Agente Secreto, ao lado de Réggis Silva. A encenação prioriza o trabalho dos atores e a força das palavras, utilizando um cenário minimalista com elementos multiuso.
“O eixo da criação está no trabalho dos atores. Queremos destacar o poder das palavras para que nada tire o foco da interpretação”, explica Réggis Silva. Para o idealizador, a peça reflete a batalha incessante pela dignidade: “Precisamos conviver com a segregação diariamente. Quantos negros circulam nos lugares que você frequenta?”.
Acessibilidade e Formação
A temporada, que segue até 29 de março, contará com 20 apresentações. Reforçando o compromisso social do projeto, duas sessões oferecerão recursos de acessibilidade, com Libras e audiodescrição.
Além das apresentações, o projeto, contemplado pelo edital Fomento CULTSP PNAB, prevê atividades paralelas:
- Bate-papos: Encontros entre o público e o elenco sobre o processo criativo e temas sociais.
- Oficina “Teatralidades Negras”: Ministrada pelo historiador Salloma Salomão, a atividade oferece 50 vagas para debater dramaturgias negras contemporâneas e performatividades afrodiaspóricas.
Sinopse:
Expondo os efeitos da opressão com sensibilidade e bom humor, a peça mostra como a identidade de um cadáver torna-se a única solução para a subsistência de um homem negro dentro de um sistema que nega seu direito de existir.
SERVIÇO
Sizwe Banzi está morto
Temporada: 26 de fevereiro a 29 de março de 2026
Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingos, às 19h
Local: Galpão do Folias (Rua Ana Cintra, 213 – Campos Elíseos, SP)
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Classificação: 14 anos | Duração: 70 minutos