Foto Créditos: MárcinhoBertolone

Seu Jorge disponibiliza pela primeira vez no YouTube a live “The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie”, em homenagem ao legado da estrela inglesa

Seu Jorge live “The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie”A relação de Seu Jorge…

Seu Jorge live “The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie”A relação de Seu Jorge com a obra de Bowie teve início em 2004, quando o artista integrou o elenco do filme “A Vida Marinha Com Steve Zissou” (The Life Aquatic with Steve Zissou), dirigido por Wes Anderson. A convite do diretor, Jorge gravou versões em português de canções de Bowie que passaram a integrar a trilha sonora do longa

No momento em que se completam 10 anos do falecimento de David Bowie, Seu Jorge disponibiliza, pela primeira vez em seu canal oficial no YouTube, a live “The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie”. Gravada durante a pandemia e até então inédita em formato permanente, a apresentação chega agora ao público como um gesto de memória, respeito e continuidade de um diálogo artístico que atravessa mais de duas décadas.

A relação de Seu Jorge com a obra de Bowie teve início em 2004, quando o artista integrou o elenco do filme “A Vida Marinha Com Steve Zissou” (The Life Aquatic with Steve Zissou), dirigido por Wes Anderson. A convite do diretor, Jorge gravou versões em português de canções de Bowie que passaram a integrar a trilha sonora do longa. As releituras, pensadas originalmente como parte da narrativa cinematográfica, ganharam vida própria e, em 2005, foram reunidas no álbum “The Life Aquatic Studio Sessions”.

É importante destacar que quase a totalidade do repertório do álbum consiste em versões criadas e interpretadas por Seu Jorge, com exceção de “Starman”, cuja adaptação em português já existia anteriormente, na versão “Astronauta de Mármore”, consagrada pela banda Nenhum de Nós. O projeto em sua totalidade consolidou-se como um marco artístico singular, responsável por apresentar a obra de Bowie a novos públicos por meio de uma leitura sensível, autoral e profundamente respeitosa.

O impacto dessas versões ultrapassou o cinema. Ao longo dos anos, “The Life Aquatic Studio Sessions” transformou-se em um espetáculo que rodou o mundo, batizado de “The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie”. A partir de uma turnê iniciada em 2016 nos Estados Unidos, o espetáculo passou a circular internacionalmente, com apresentações em diferentes cidades americanas, além de duas etapas pela Europa, passando também por países como África do Sul e Austrália. Ao longo de dois anos, essa turnê reafirmou a força e a atualidade dessas interpretações ao vivo.

Gravada anos depois, durante a pandemia, a live agora disponibilizada registra esse repertório em seu formato mais essencial: voz e violão. São 15 canções, entre elas “Life on Mars?”, “Changes”, “Rock ’n’ Roll Suicide” e “Rebel Rebel”, apresentadas de maneira intimista, revelando a potência dessas versões em sua forma mais direta.

A apresentação foi registrada em agosto de 2020, em Ubatuba, na casa do diretor musical Sérgio Campanelli, amigo próximo de Seu Jorge. O cenário natural e acolhedor da residência, hoje também guardado como memória afetiva, contribuiu de forma decisiva para o clima sensível e contemplativo da performance.

Para Seu Jorge, essa performance carrega um significado que vai além do registro musical:

“As versões que gravei para The Life Aquatic, lá em 2004, mudaram profundamente a minha vida. Elas abriram caminhos, me colocaram em diálogo com o mundo e com um artista que sempre representou liberdade criativa. Esse repertório me acompanha há muitos anos e cada vez que ele volta, volta com um novo sentido.”

“Essa live, gravada num momento tão delicado para todos nós, guarda uma verdade muito grande. Disponibilizá-la agora, de forma aberta e permanente, é uma maneira de manter viva essa troca artística e de honrar o legado de um criador que segue inspirando gerações. É respeito, memória e gratidão.”

O reconhecimento de Bowie a esse trabalho permanece como um dos momentos mais simbólicos dessa trajetória. Em texto publicado à época do lançamento do álbum, o artista britânico declarou: “Had Seu Jorge not recorded my songs in Portuguese, I would never have heard this new level of beauty which he has imbued them with” – em tradução livre: “Se Seu Jorge não tivesse gravado minhas músicas em português, eu nunca teria ouvido esse novo nível de beleza que ele soube imprimir nelas.”

Ao tornar pública, pela primeira vez, a live The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie, Seu Jorge convida o público a revisitar, ou descobrir, um encontro artístico raro, construído ao longo do tempo, que segue vivo na música, no cinema e na memória afetiva de fãs ao redor do mundo.

Sobre Seu Jorge:

Do Gogó da Ema aos holofotes internacionais, Seu Jorge consolidou-se como um dos artistas mais influentes da cultura brasileira. Cantor, compositor, ator e multi-instrumentista, ele navega entre os universos do samba, MPB, R&B, Bossa Nova e funk, conectando gerações e fronteiras através da música e do cinema. Com uma trajetória pautada na pluralidade artística, Seu Jorge se tornou uma voz potente tanto no entretenimento nacional quanto internacional.

Nascido Jorge Mário da Silva em Belford Roxo, no estado do Rio de Janeiro, seu primeiro contato com a arte aconteceu no teatro. No início dos anos 1990, integrou a Companhia de Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (TUERJ), onde participou de mais de 20 peças, incluindo “A Saga da Farinha”. Paralelamente, sua vivência na boemia carioca o levou a frequentar rodas de samba, bailes de funk e charme, criando a base para sua identidade musical.

Seu Jorge despontou para o grande público em 1997, ao fundar a banda Farofa Carioca, com Gabriel Moura e o flautista francês Bertrand Doussain, um grupo que mesclava rap, samba, MPB, soul e reggae. O álbum de estreia, “Moro no Brasil”, continha o icônico single “A Carne”, uma crítica social que se tornou um hino antirracista na voz de Elza Soares. Pouco depois, iniciou sua carreira solo e, em 2001, lançou “Samba Esporte Fino”, também conhecido internacionalmente como “Carolina”, produzido por Mário Caldato e Daniel Ganjaman. O disco firmou seu nome na música brasileira, com hits como “Carolina” e “Chega no Swing”.

Paralelamente à música, Seu Jorge encontrou no cinema uma plataforma para expandir sua arte. Sua primeira grande atuação foi como Mané Galinha em “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles. O filme alcançou sucesso internacional, abrindo portas para sua participação em “A Vida Marinha com Steve Zissou” (2004), de Wes Anderson. No longa, Seu Jorge reinterpretou clássicos de David Bowie em português, conquistando a admiração do próprio artista britânico, que declarou: “Se Seu Jorge não tivesse gravado minhas músicas em português, eu nunca teria ouvido esse novo nível de beleza que ele as imbuiu”.

Nos anos seguintes, sua discografia cresceu, consolidando-o como um dos maiores nomes da música brasileira. “Cru” (2004) trouxe interpretações autênticas e faixas como “Tive Razão” e “Eu Sou Favela”. Seu Jorge também brilhou com “Ana & Jorge” (2005), uma parceria com Ana Carolina que imortalizou “É Isso Aí”, versão de “The Blower’s Daughter”, de Damien Rice.

No cenário internacional, conquistou a crítica com o projeto Seu Jorge & Almaz, ao lado de Lúcio Maia e Pupillo, da Nação Zumbi, e do compositor Antonio Pinto. O álbum recebeu aval de publicações como Washington Post e The New York Times. Seu álbum “América Brasil” (2008) revelou sucessos como “Burguesinha” e “Mina do Condomínio” e foi o grande vencedor do Latin Grammy de Best MPB Álbum e os álbuns “Músicas Para Churrasco Vol 1” (2012) e “Músicas Para Churrasco Vol 1 (Ao Vivo)” (2013) também venceram o Grammy Latino, na categoria Best Brazilian Contemporary Album.

O cinema continuou sendo um espaço frutífero em sua trajetória. Atuou em “Casa de Areia” (2005), ao lado de Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, “Tropa de Elite 2” (2010) e “Abe” (2019), onde interpretou um chef brasileiro. Em “Marighella” (2021), dirigido por Wagner Moura, viveu o líder revolucionário Carlos Marighella, papel que lhe rendeu prêmios internacionais como Melhor Ator no Festival Internacional de Filmes da Índia e no Bari International Film Festival. Em 2025, Seu Jorge integra o elenco de “Corrida dos Bichos”, dirigido pelo premiado cineasta Fernando Meirelles e Ernesto Solis, e “A Melhor Mãe do Mundo”, de Anna Muylaert, que teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro do mesmo ano.

Seu Jorge também marcou presença no streaming, estrelando séries como “Irmandade” (Netflix), “Mandrake” (HBO) e “Manhãs de Setembro” (Amazon Prime). Para ele, o crescimento das plataformas digitais possibilitou a criação de personagens mais complexos e afastados de estereótipos raciais recorrentes na TV tradicional.

Em 2023, Seu Jorge celebrou 30 anos de carreira, reafirmando sua posição como um artista sem fronteiras. Além de projetos musicais e cinematográficos, ele também é CEO da Black Service, um espaço de produção cultural voltado à valorização de artistas pretos no mercado.

No início de 2025, lançou o álbum “Baile à la Baiana”, seu primeiro de faixas inéditas em dez anos. Com 11 canções que combinam elementos da música carioca e baiana, o trabalho celebra a riqueza cultural do Brasil e marca mais um momento decisivo na trajetória do artista. Ao longo do ano, Seu Jorge também dirigiu a curadoria do Festival Nova Brasil, reunindo 24 artistas em mais de seis horas de música ao vivo, e realizou três turnês internacionais, levando o repertório do novo álbum a países como França, Dinamarca, Portugal e Holanda, com passagens por alguns dos maiores festivais do verão europeu. No Brasil, a agenda incluiu palcos de destaque como Turá, João Rock e C6 Music Fest. Em um dos momentos mais simbólicos de 2025, Seu Jorge apresentou-se no Global Citizen Festival: Amazônia, em Belém, onde recebeu no palco Chris Martin, vocalista do Coldplay, como convidado especial para uma participação. O ano se encerrou com um show no Réveillon de Fortaleza, apresentação que reuniu mais de um milhão de pessoas.

Sua influência atravessa continentes, indo do samba carioca aos palcos do Royal Albert Hall e do Madison Square Garden. Dono de um legado inestimável, Seu Jorge segue desafiando convenções e transformando a arte em uma ferramenta de diálogo e revolução.