ICE amplia poder de agentes para efetuar prisões sem mandado nos EUA

Memorando interno obtido pelo “The New York Times” revela que agentes agora podem deter suspeitos…

Memorando interno obtido pelo “The New York Times” revela que agentes agora podem deter suspeitos de imigração ilegal sem ordens judiciais específicas; Minneapolis é palco de protestos após mortes.

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) receberam autorização para efetuar prisões sem a necessidade de mandados judiciais. A informação foi revelada pelo jornal The New York Times nesta sexta-feira (30), com base em um memorando interno da agência governamental.

A nova diretriz altera a dinâmica das operações migratórias. Anteriormente, as ações eram direcionadas a indivíduos específicos com mandados em mãos. Agora, agentes de nível inferior têm autonomia para realizar buscas, apreensões e deter qualquer pessoa que encontrem e suspeitem ser imigrante sem documentação regular.

Escalada de poder administrativo

Esta não é a primeira expansão de autoridade da agência nos últimos meses. Em maio de 2025, o ICE já havia ampliado o poder de seus oficiais para que pudessem ingressar em propriedades particulares utilizando apenas mandados administrativos, dispensando a exigência de ordens expedidas por juízes.

A mudança institucional reflete as prioridades da agenda do presidente Donald Trump, que tem nas operações de fiscalização e deportações em massa um de seus principais pilares de governo.

Tensão e mortes em Minneapolis

A implementação dessas medidas ocorre em meio a uma grande operação de deportação em Minneapolis. A cidade, que se mantém como “cidade-santuário” e conta com o apoio do governo democrata de Minnesota para não cooperar com agências federais de imigração, tem sido palco de confrontos e intensa oposição social.

A tensão atingiu o ápice após a morte de dois cidadãos americanos e ativistas, Renee Good e Alex Pretti, baleados por agentes do ICE durante as operações. O caso gerou comoção nacional e motivou uma série de manifestações.

Protestos e o “Apagão Nacional”

Nesta sexta-feira, milhares de pessoas participaram de uma passeata em Minneapolis convocada por organizações de defesa dos imigrantes. O movimento, batizado de “apagão nacional”, contou com a presença de figuras públicas, incluindo o músico Bruce Springsteen, que realizou uma performance em memória dos ativistas mortos.

As lideranças políticas locais e ativistas reforçam que a resistência às operações continuará, enquanto o governo federal mantém a estratégia de intensificar a fiscalização em territórios que se recusam a colaborar com as novas políticas migratórias.