
Circo Teatro Palombar estreia “Somos Periferia” no Sesc Belenzinho: uma exaltação à identidade da quebrada
Em temporada até 22 de fevereiro, o espetáculo funde linguagens circenses, música ao vivo e…
Em temporada até 22 de fevereiro, o espetáculo funde linguagens circenses, música ao vivo e vídeo mapping para celebrar as raízes e a ancestralidade de Cidade Tiradentes.
O Sesc Belenzinho, na Zona Leste de São Paulo, recebe a temporada de estreia de “Somos Periferia”, o novo espetáculo do Circo Teatro Palombar (@circopalombar). Em cartaz até o dia 22 de fevereiro de 2026, a montagem é um convite direto à juventude periférica para se reconhecer em cena, misturando circo, música, slam, dança e artes visuais em uma narrativa que pulsa o cotidiano das bordas da cidade.
Sediado em Cidade Tiradentes, o Palombar assume o bairro não apenas como cenário, mas como identidade. O território, um dos maiores conjuntos habitacionais da América Latina, serve de base para uma dramaturgia que exalta as lutas, os afetos e a cultura local. A experiência ganha contornos vivos com as projeções visuais do coletivo Coletores, referência em vídeo mapping, que cria uma paisagem afetiva e reconhecível no palco.
Homenagem aos Mestres e Ancestralidade
A montagem não se limita ao presente; ela reverencia quem abriu caminhos. Personagens históricos do bairro, como o Pai Jair, o Mestre Silva (precursor da capoeira na região) e a Escola de Samba Príncipe Negro, são celebrados ao longo da encenação. Em um dos momentos mais fortes, a frase “O meu axé é a minha força que me guia. Não estou sozinho, carrego meus ancestrais” ecoa, reforçando o pertencimento do grupo.
O poeta Jé Versátil (@jeversatil) conduz a plateia como mestre de cerimônias, costurando o roteiro com poesia slam, rimas e beatbox. A participação de André Canário (@andrecanarioo) traz a força das ruas através de saltos acrobáticos e do breaking dance, fundindo a cultura hip-hop à técnica circense.
A Vida Real no Picadeiro
No palco, os elementos do cotidiano ganham novos significados:
- Lira Circense: Mulheres da quebrada ocupam a cena com potência e delicadeza, desconstruindo estereótipos de força feminina.
- Diabolô Gamer: A juventude gamer é representada entre comandos de “Start” e “Game Over”.
- Fluxo e Beats: A trilha sonora transita entre samba, rap, funk, rock, cumbia e gospel, culminando em ritmos de música eletrônica e o som do tambor, remetendo aos desfiles de carros tunados e bailes funk.
- Malabarismo e Sobrevivência: Em um duelo de malabares com objetos do dia a dia, a parceria é interrompida pela chegada do “rapa”, lembrando que sobreviver na quebrada exige estratégia.
Dramaturgia Musical Coletiva
Com direção de Adriano Mauriz, o processo criativo mergulhou fundo na literatura periférica. Os doze artistas que compõem o elenco atuam como uma big band multi-instrumentista, revezando-se entre os números circenses (como monociclo, rola-rola e manipulação de objetos) e a execução da trilha sonora.
“Somos Periferia” reafirma o território como um lugar de invenção e pensamento. É uma obra feita por jovens que falam de si para outros