Foto: Inspiração Seis

Cia Forè: Ancestralidade e Protagonismo Negro Redefinem a Cena da Dança em São Paulo

Indicada ao prestigiado Prêmio APCA e consolidada como um dos coletivos mais instigantes da capital…

Indicada ao prestigiado Prêmio APCA e consolidada como um dos coletivos mais instigantes da capital paulista, a Cia Forè investiga a memória corporal e afirma o protagonismo periférico. Unindo dança, teatro, música e circo, o grupo utiliza o corpo negro como um “arquivo vivo” para combater o racismo e celebrar saberes ancestrais que resistem no território urbano.

O Corpo como Arquivo Vivo e Poético

Fundada em 2023 pelo artista Ton Moura, a companhia mergulha em uma pesquisa profunda sobre as danças do oeste africano e manifestações ritualísticas afro-brasileiras. A proposta é tratar o corpo como um agente político, acessando histórias silenciadas. “Quando dançamos, estamos acessando memórias e saberes que resistem no corpo. Pensar na Forè é pensar em um futuro ancestral”, afirma o coletivo.

O elenco, formado por artistas multidisciplinares como Miguel Menezzes, Nayla Delfino, Thaise Reis, Jhefferson Gomes, entre outros, traz a vivência da periferia para o centro da narrativa, criando obras a partir da negritude e não apenas apesar dela.

Memórias Umzimba: O Encontro com o Sagrado

Um dos pilares conceituais do grupo é a palavra Umzimba (da etnia Xhosa, África do Sul), que designa a conexão entre o corpo físico e espiritual. Esse conceito fundamentou o espetáculo “CABAÇAS: Memórias Umzimba”, contemplado pelo programa VAI 1. A obra utiliza a cabaça como símbolo de continuidade e saber, narrando o encontro místico de uma jovem com forças ancestrais.

“Forè significa preto na língua e etnia Sussu. Temos o cuidado de contar um lado abundante, poético e vivo da nossa história”, destaca a companhia.

Reconhecimento Técnico e Expansão em 2026

A relevância do coletivo foi coroada com a indicação ao Prêmio APCA 2026 na categoria técnica, pelo espetáculo TRANÇAS. Para o grupo, a indicação simboliza a ocupação de espaços historicamente negados aos corpos negros e a valorização de uma estética que nasce nas “quebradas” de São Paulo.

Após uma temporada de sucesso no Sesc 24 de Maio, a Cia Forè projeta 2026 como um ano de circulação nacional. Os planos incluem o desenvolvimento de novos projetos via editais como VAI 2 e SESI, além de fortalecer a rede de dança preta contemporânea em todo o Brasil.

Ficha Técnica e Conceito:
  • Fundação: 2023, por Ton Moura.
  • Linguagens: Dança, Teatro, Música e Circo.
  • Destaque: Indicação ao Prêmio APCA (Cerimônia em janeiro de 2026).
  • Próximos Passos: Circulação nacional do espetáculo “CABAÇAS”.