Grafiteiros convidados dialogam sobre arte, pandemia e criminalização da expressão artística; DJ Sophia comanda o som durante a transmissão;

Ação Educativa celebra Dia do Graffiti e oferece programação virtual

Grafiteiros convidados dialogam sobre arte, pandemia e criminalização da expressão artística; DJ Sophia comanda o som durante a transmissão;

Em paralelo, uma websérie sobre o tema está sendo produzida com a participação de coletivos e personagens importantes da arte urbana e cultural periférica de São Paulo

O setor cultural busca alternativas para se reinventar durante a pandemia. Lives musicais, exposições virtuais e apresentações de dança e teatro seguem pipocando nas telas mundo afora, conferindo cultura e alento em meio ao distanciamento social.

Ação Educativa, associação civil sem fins lucrativos que atua nos campos da educação, cultura e juventude, na perspectiva dos direitos humanos, embarcou nessa onda e convida todos para o evento virtual Dia do Graffiti na Ação Educativa – arte urbana, pandemia e criminalização. Será em 27/03, a partir das 15h30.

Esta é a 16a vez que a data é celebrada pela Ação Educativa. Desde 2004 a programação expõe obras de artistas da cena paulista, presta homenagens e tem a fachada de sua sede, o famoso ‘predinho’, grafitada por vários artistas e coletivos. Por conta da pandemia, as atividades presenciais foram suspensas em 2020 e o novo formato poderá ser acompanhado pelas redes sociais da Associação (www.youtube.com/acaoeducativa e www.facebook.com/acaoeducativa) e no novo canal do Estéticas da Periferia no Twich: www.twitch.tv/esteticasdasperiferias.

“No ano passado as restrições começaram exatamente em março e não conseguimos pensar em outras alternativas para realizar o evento. Esse ano voltamos com novidades”, conta Eleilson Leite, Coordenador da Área de Cultura da Ação Educativa. A primeira delas é o próprio canal de transmissão do evento. “Será a nossa estreia na plataforma com o canal Estéticas das Periferias no Twitch, que depois terá uma programação contínua com artistas e DJs das periferias da cidade”, completa.

No dia 27 o público também confere uma mesa de debates sobre o Graffiti, sua contribuição como arte urbana no contexto da pandemia e a insistente criminalização desta expressão do movimento Hip Hop. Participam do encontro os grafiteiros André Firmiano, Carolina Teixeira (ITZÁ) e Regina Elias da Costa (Soberana Ziza), que também comentarão a presença das mulheres na cena. A música fica por conta da DJ Sophia, que apresentará um set list especial com referências musicais do movimento hip hop.

A própria moradia como suporte artístico

Em paralelo à programação, grafiteiros de cinco coletivos de todas as regiões de São Paulo estão preparando obras para exibição virtual. Em virtude da pandemia, como os grupos não poderão realizar intervenções nas ruas, superfícies de objetos inusitados, tapumes, paredes e as portas das próprias residências se tornam suportes para extravasar cores, texturas, protestos e reflexões.

O processo de concepção das obras e depoimentos destes artistas estão sendo registrados em vídeos e serão disponibilizados como uma web série no canal do Youtube da Ação Educativa. O material também reunirá depoimentos de outros personagens importantes para arte urbana e cultural periférica de São Paulo. “A expectativa é que fique pronto em abril.”, avisa Eleilson.

SOBRE OS PARTICIPANTES

Debatedores

●      André Firmiano

Formado em Artes Visuais, André atua como escritor de Graffiti desde 1998 e como artista visual desde 2007. Trabalha com questões de gênero com foco afro-centrado.

●      Carolina Teixeira (ITZÁ)

Grafiteira, artista visual e educadora, atua há 15 anos e integra

os coletivos Periferia Segue Sangrando, 8M na Quebrada e Fala Guerreira! ITZÁ também promove rodas de conversa e intervenção urbana coletiva com mulheres, discutindo pertencimento, território e corpo, no desenvolvimento de uma pedagogia feminina por meio da residência artística autônoma “Útero Urbe”.

●      DJ Sophia

Sophia iniciou a carreira em 2015, após participar do projeto o Futuro Do Hip Hop. Além de Beatmaker e DJ oficial de MC Soffia, Preta Rara e Souto MC, é residente da Sem Classe, festa de moda produzida pela iD Prod. Assina também a direção do filme 4 Por 4 e O Hip Hop Por Nós.

●      Soberana Ziza

Artista visual e educadora, Soberana Ziza atua desde 2006 expondo seus trabalhos em intervenções urbanas e em galerias. Seu foco é na estética da negritude e o feminino, em uma abordagem afrofuturista.

Seu trabalho une história, ancestralidade e arte contemporânea na busca pelos caminhos trilhados por seus ancestrais, representando a atuação do povo negro em diferentes setores: Artes, Engenharia e Medicina.

Coletivos

●      Ação Educativa (Centro)

Criada em 1994, a Ação Educativa atua nos campos da educação, da cultura e da juventude, na perspectiva dos direitos humanos. Integra campanhas e outras ações coletivas. Além disso, desenvolve pesquisas e metodologias participativas com foco na construção de políticas públicas sintonizadas com os interesses da população.

Representante: André Firmiano

●      Arte e Cultura na Kebrada (zona leste)

O coletivo Arte e Cultura na Kebrada, promove alguns dos maiores eventos de Hip Hop na Zona Leste de São Paulo. O cronograma de atividades inclui intervenções nas ruas, oficinas, entre outras ações que contemplam as demais expressões artísticas do movimento. A proposta é atrair a comunidade para o processo de afirmação de suas identidades, além de revitalizar e transformar os espaços públicos.

●      Representante: Manulo

●      Salve Kebrada (zona oeste)

Criado em 2014, o Coletivo Salve Kebrada tem sua origem no áudio visual, valorização da historia oral e a ciência periférica. Em 2019 foi contemplado no edital Fomento a Cultural da Periferia, da secretaria de Cultural de São Paulo – SP, com o projeto “Favelas e Aldeias” que amarra as lutas sociocultural dos povos das favelas e os povos originários de terras indígenas do Jaraguá.

Representante:  Jamal

●      Salve Selva (zona sul)

Coletivo de artistas/educadores do Grajaú, graduados em artes

Visuais. Realizou ações na comunidade onde está inserido e nas adjacências, em parceria com outros grupos, e teve projetos contemplados pelo Programa VAI como o Graja na Cena, exposições de arte, além da criação da

primeira Universidade Livre do Grajaú, a “Uni Graja”.

Representante: Adriano

●      Tamojunto (zona norte)

O coletivo Tamojunto nasceu no Elisa Maria, Zona Norte de São Paulo. Criado pelos artistas graffiteiros John Córdoba e Cléo Moreira o seu objetivo é trazer vida aos espaços públicos, de forma independente, em mutirões, parcerias com órgãos públicos e privados. Em seu histórico, destaque para os projetos Tamojuntrip#1 e Tamojuntotrip#2 que leva a cultura do graffiti pelo Brasil a bordo de uma Kombi Home.

Representantes: Cléo e John

ENTREVISTA DO MÊS

Para fechar o pacote de comemorações a seção Artista do Mês, no site da Ação Educativa, destaca a trajetória do grafiteiro Robinho Santana. Reconhecido por obras que expõem sua visão sobre negros e negras periféricos, o relato revela curiosidades da trajetória do artista plástico. A entrevista completa pode ser conferida em https://acaoeducativa.org.br/como-a-pintura-revela-robinho-santana-o-bom-filho-do-jardim-ruyce/

HISTÓRIAS DO DIA DO GRAFFITI:

●      Mais de 700 grafiteiros já participaram do Dia do Graffiti, promovido pela Ação Educativa, seja com obras ou intervenções;

●      Em 15 anos de Expograffiti (2004 a 2019), mais de 300 obras foram exibidas ao público;

●      Speto, Magrela, Sergio Neri, Celso Gitahy, Robinho, Ziza – artistas que assinam painéis gigantescos em São Paulo por conta do Museu de Arte Urbana – participam constantemente do Dia do Graffiti na Ação Educativa;

●      O rapper e escritor GOG realizou a abertura de uma das edições;

●      Em 2019, mais de 10 intervenções pintaram quase 1 km de Graffiti;

●      Em 2014 uma multidão se aglomerou na sede da Ação Educativa para celebrar os 10 anos do Dia do Graffiti;

●      Em 2013 o evento promoveu homenagem póstuma a Niggaz, jovem gafiteiro do Grajaú morto em 2003, que teve o corpo jogado na represa local;

●      Em 2009 a homenagem foi a Rui Amaral, autor do painel do túnel que liga as avenidas Dr. Arnaldo com a Paulista;

●      Em 2007 o evento relembrou os 20 anos da morte do Alex Vallauri – que motivou a criação do Dia do Graffiti