A 3ª edição do festival calango promoveu 26 atrações da periferia de nove estados, além do DF e de Portugal/São Tomé e Príncipe, e reuniu jovens em oficinas de capacitação e debates

A 3ª edição do Favela Sounds – Festival Internacional de Cultura de Periferia terminou no último sábado (24/11) depois de seis dias de programação gratuita distribuída por sete regiões administrativas do Distrito Federal e no centro da cidade. O público total do evento foi de 30 mil pessoas, que circulou por oficinas em espaços culturais independentes nas quebradas do DF, debates em escolas públicas para 1200 alunos, atividades em unidades do Sistema Socioeducativo para cerca de 400 jovens internos e, claro, as duas noites de shows que já se consolidaram por arrastar uma multidão ao Museu Nacional da República, no centro político do país.

Realizado pela Um Nome Produção e Comunicação, patrocinado pela Oi e Skol, com apoio da Oi Futuro, Museu Nacional e Ruas, estima-se que, ao todo, foram gerados cerca de 200 empregos diretos e 600 indiretos na realização desta terceira edição. O evento aposta e fomenta a cultura produzida pelas periferias de todo o Brasil, o único festival do país com este foco.

Entre as atividades sócio educativas realizadas, a primeira oficina desta edição, de cenografia, realizada na Ceilândia, resultou em todo o projeto cenográfico do evento, pensado e executado pelos alunos da atividade. Batizadas de Tamo Junto, as atividades que levaram música às Unidades do Sistema Socioeducativo do DF (para jovens em privação de liberdade) também ganharam mais espaço nesta edição. Vera Verônika, Nego Dé e DJ Chokolaty fizeram conversas com os jovens internos e alguns destes jovens puderam participar da oficina de cenografia ou autorizados a acompanhar os shows do festival.

Os debates foram realizados em escolas públicas do DF, com a rapper e ativista Preta Rara, e o criador do Voz das Comunidades (RJ), Rene Silva, iniciativa acertada que reuniu mais de 1200 alunos participantes. No Museu Nacional também abrigou debates com Diogo Baldacci (Secretaria de Cultura do DF/LIC) e Zélia Peixoto (Oi Futuro/LabSonica), além de ter sido palco para o lançamento do Slam Favela Sounds e para batalhas de rima, de hora em hora. O Favela Sounds abrigou ainda o Mercado Criativo Periférico, com empreendedores das quebradas do DF.

O Favela Sounds atinge um público bastante variado, este ano trazendo sonoridades periféricas da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, São Paulo, Sergipe e Rio de Janeiro. Também se apresentaram artistas do DF e o DJ Marfox, português de origem são-tomense.

Artistas do rap e R&B como Drik Barbosa, Rico Dalasam, Preta Rara, Don L, Flora Matos, Fabriccio, Hiran, DJ Janna, Marmitos, Flávio Renegado, Donas da Rima e outros, chamaram atenção no line-up. Do funk, marcaram presença Deize Tigrona, Pepita, Sandrinho Contexto (DJ de uma vida de Mr. Catra, que fez um tributo ao cantor, homenageado desta edição), além de Na Batida do Morro e Kashuu. Keila representou o tecnobrega, MC Tocha, o brega-funk de Pernambuco, e La Furia, o pagodão baiano. Artistas como MC Tha, Bia Ferreira, Yourubeat, Marfox e Forró Red Light trouxeram novas possibilidades para a música de quebrada, indo a estilos que vão desde o afrohouse ao boom-bap, passando pela clássica música popular brasileira e sons experimentais.

Depois da edição no DF, Favela Sounds leva uma versão pocket pro centro do Rio de Janeiro, na Praça XV, dia 16 de dezembro e com entrada franca, como parte da programação que encerra o festival Conexidade, a convite da Oi. O trio de rap feminino ABRONCA (RJ) será a atração principal em show que ganha as participações especiais da funkeira carioca Deize Tigrona e da rapper brasiliense Thabata Lorena.

Confira algumas fotos do evento em Brasília (Fotos de Rômulo Juracy):