Do interior paulista, da cidade de São José dos Campos, despontam as frequências do projeto Komunga, duo de eletro pop experimental que está prestes a lançar seu primeiro álbum, via Bigorna Discos. Para antecipar o disco de estreia, a Komunga divulga o clipe de “Medúlla”.

A partir de uma proposta sonora e performática inspirada em elementos vindos do afrofuturismo e do tecnoxamanismo, a Komunga é uma dupla formada pelas figuras Risoflora e Urukum, personificadas respectivamente pelos músicos Julio Rhazec e Lucas Baumgratz.

Tais personagens representam dois espíritos das florestas: Risoflora é uma entidade que nasce da necessidade de auxílio ao povo da Diáspora Africana. Enquanto Urukum era um ser cultuado pelos antigos povos Ameríndios e ressurge no mundo atual como diplomata para negociar a paz por meio da música.

Dirigido por Komunga e Giramundo (Jean Furquim e Guilherme Midões), o clipe de “Medúlla” localiza um show da dupla como um espaço seguro de troca e acolhimento entre diferentes linhas religiosas.

“Primeiro veio a ideia básica, que seria imaginar uma festa onde pessoas de diferentes culturas se reunissem e celebrassem juntas, com felicidade”, completa Rhazec. “E isso tudo se passa no futuro. Seria como se começássemos a contar os anos a partir do fim do Apartheid na África do Sul (1994). Imaginamos que esse seria um ótimo momento para começar a contar os anos. Um momento não religioso, um momento que tem ligação ao respeito humano de uma forma geral. Então esses acontecimentos aconteceriam no ano de 3882, seguindo nossa contagem. Escolher 1888 também não é mero detalhe, faz referência ao último país que aboliu a escravatura na América, o Brasil”, revela o músico sobre parte da proposta conceitual do clipe.

A canção, produzida pela própria Komunga, também reflete sua letra por meio do próprio arranjo. De acordo com Baumgratz:

“com atenção é possível ouvir várias citações sonoras de religiões diferentes, principalmente as que mais pulsão no nosso país. Sinos, batuques, vocais indígenas, chocalhos, órgão. O fim o eletrônico vem então como uma forma de unificar”, explica.

Assista “Medúlla”: