ÀTÚNWA é o segundo álbum da cantora e compositora Bia Doxum, que agora em seu mais novo trabalho revela à que veio sua nova identidade artística, trazendo uma roupagem musical mais fluída onde, em verso e som, se fundem axé e hip hop,  possibilitando uma experiência de encontro do mais jovem com o ancestral.

ÀTÚNWA é o conceito yorubá para aquilo que o Ocidente entende como reencarnação, significando “aquele ou aquela que volta novamente”.

Depois de um hiato de 4 anos, o retorno de Doxum se dá em um novo disco de 13 faixas, que simbolizam o renascimento da alma através da abordagem de temas como ancestralidade, axé, amor preto e a força da mulher negra no cenário urbano contemporâneo, afim de combater o racismo, o machismo e a intolerância religiosa.

ÀTÚNWA conta com produções musicais de Bad Sista, DJ DIA, Vibox, Heron Francelino, Kleber Milo, Gibin, Vinni OG Beats e DJ Higa, além da direção vocal de Dcazz e mix e master de Base Mc – RefugiAudio Estúdio. O único feat do álbum é uma colaboração internacional, assinado por LilBirdLeii, cantora e compositora Haitiana, que participa da faixa Woman Of Power. A arte da capa é assinada pela artista Ione Maria.

A produção executiva é assinada pela Obìnrín Produções Artísticas, uma produtora independente idealizada pela cantora Bia Doxum e sua irmã e produtora Renata de Oliveira.

Em seus versos, Doxum traz referências como seu grupo favorito, Os Tincoãs, elementos e itãs que simbolizam os Orixás e o universo da magia afro-brasieiras, além de figuras femininas como a cangaceira Maria Bonita e a líder quilombola Teresa de Benguela.

ÀTÚNWA é a faixa abre-alas, que traz o nome do disco e conta com produção musical de Heron Francelino. A faixa saúda Ori, a nossa cabeça, que de acordo com o povo yorubá deve ser cultuado antes que qualquer outro Orixá, e, fala sobre olhar pra trás com carinho e respeito para que então se possa olhar pra si.

Catingueira é a árvore da Caatinga que dá uma linda flor amarela e também a segunda faixa do disco produzida por Gibin. Fala sobre o cangaço e sobre como muitos de nós faz chover no solo árido das possibilidades através da persistência e da esperança na arte do nosso povo.

No caminho do reencontro ao ancestral e do mergulho ao nosso íntimo, o amor é passagem fundamental. É por isso que Doxum estampa amor e cor nas faixas Pelas Avenidas, Molinha, Balaio de Amor, Pólen e Seu Presente, onde afeto, respeito, reconhecimento e reencontro estão envoltos em balanço e doçura.

Nem tudo são flores e é comum nos sentirmos à margem. Rasgando limites discorre sobre essas dificuldades e como se faz necessário a busca de novas possibilidades para alcançarmos enfim águas brandas.

Woman Of Power, Maria Bonita, Afrodite e Filha de Pemba são faixas que expressam a garra e a força da mulher que finalmente se encontra com seu renascimento, fechando o disco ÀTÚNWA.

“Acredito que ÀTÚNWA pode revelar o renascimento dentro de cada ser que se permitir a escuta-lo. Pode nos mostrar que nenhuma dor é eterna, que nenhum jaz é capaz de apagar a vida.  Esse disco é sobre trazer um olhar de amor, cuidado, carinho e respeito para com nossa história, os nossos e nós mesmos. É sobre memória, sobre ancestralidade, o pilar que sustenta nosso caminhar”, diz Doxum sobre seu novo disco.

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TRAJETÓRIA:

Bia Doxum é uma cantora e compositora da zona leste de São Paulo. Como quem já sabe ao que veio ao mundo, lançou seu primeiro EP Boletim de Omissão aos 15 anos e mais tarde seu primeiro álbum, Máquina Que Gira, muito influenciada pelo movimento hip hop e pela literatura periférica que se ploriferava nos saraus das periferias de São Paulo.

Bia Doxum participou das cyphers Rima Dela #1, Psicopretas e fez parcerias com Xis, Rincon Sapiência, Dcazz, LilBirdLeii entre outros. Foi finalista do Festival Sons da Rua no ano de 2018 e já se apresentou no mesmo palco que grandes nomes como Djonga, Alt Niss, Cris SNJ e Mental Abstrato. Acompanhada de uma banda de 9 musicos, todos da zona leste de São Paulo, Doxum permeia pelo vasto universo da música negra, indo do hip hop ao ijexá, do samba ao soul. Seu som tem a proposta de unir o jovem ao ancestral, abrangendo temas como intolerância religiosa, ancestralidade e a força da mulher negra no cenário urbano contemporâneo.

Em novembro de 2019, Doxum lança seu segundo disco, trabalho que marca sua nova identidade artística, ÀTÚNWA.