A banda Pussy Riot ganhou repercussão internacional após ir parar na prisão após fazer oposição ao governo Putin.

O grupo vem a São Paulo para o lançamento de um livro que conta a experiência na prisão, fazer um show gratuito, realizar um debate e exibir um documentário sobre a trajetória da banda. O show em SP terá participação da cantora Linn da Quebrada.

As jovens artistas-ativistas russas Nadezhda Tolokonnikova e Ekaterina Samutsevich foram integrantes do coletivo de arte anarquista Voina. Ao sentirem pressão dos participantes masculinos criaram seu próprio grupo, com ideias de independência e liberdade femininas. Assim nasceu Pussy Riot, combinando ativismo, feminismo, militância midiática e músicas autorais que criticam o nacionalismo e as autoridades masculinas russas. Maria Alyokhina se junta ao grupo após um show no Lobnoye Mesto, na Praça Vermelha em Moscou. Essa ação em específico lhes levou à detenção e chamou a atenção da grande mídia. Após esse evento muitas das garotas integrantes deixaram o Pussy Riot, exceto Nadezhda, Ekaterina e Maria. O grupo então decidiu realizar um culto punk na Catedral de Moscou, cantando uma música composta especialmente para a performance com o refrão Chase Putin Away!. A performance foi interrompida, mas jornalistas e cinegrafistas conseguiram filmá-la e postá-la na internet. Alguns dias após a ação, as três participantes foram presas, levadas ao tribunal e condenadas, cada uma, a dois anos de prisão. A derrota no tribunal se tornou para elas uma vitória moral. A partir da sentença viralizada nas redes e em todo o mundo, milhares de manifestantes usam balaclavas coloridas cantando Liberty to Pussy Riot!

Em 29 de janeiro, às 21h, Maria Alyokhina lança Riot Days, em tradução direta do russo por Marina Damaros, coedição da n-1 edições e Editora Hedra, no Centro Cultural São Paulo. No livro, a ativista faz um relato contundente sobre sua atuação política e o tempo passado na prisão. Antes do lançamento, às 19h, será exibido o filme Act and Punishment, seguido de bate-papo com a escritora e outros integrantes do grupo. No dia 30, Pussy Riot se apresentará junto com Linn da Quebrada na rua Vergueiro, em frente ao CCSP, dentro da programação do Festival Verão Sem Censura da Prefeitura de São Paulo. Após o show, a Dj Kot, integrante do grupo, fará um set encerrando o festival. Além do livro Riot Days, a n-1 edições lançará dois cordéis escritos por mulheres que passaram pelo sistema prisional brasileiro.

Sobre o livro:

Riot days é um relato cru, alucinatório e apaixonado sobre a prisão da autora, Maria Alyokhina, e julgamento em uma colônia penal nos Urais após participar de um protesto punk contra Putin em uma igreja ortodoxa. A tradução, direto do russo, foi feita por Marina Damaros, doutoranda em Cultura e Literatura Russa pela USP, mestra em Jornalismo Internacional pela Rossiyskiy Universitet Druzhbi Narodov e bacharel em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero. Os primeiros 300 exemplares do livro, virão acompanhados por dois cordéis e serão embalados em balaclavas coloridas confeccionadas especialmente pela Cooperativa Libertas, de mulheres egressas do sistema penitenciário brasileiro. Parte do lucro da venda dos livros será revertida à causa internacional do grupo Pussy Riot e à Cooperativa Libertas.

Sobre o filme:

Act and Punishment (90 minutos, legendas em português), de Yevgeni Mitta, exibido dia 29 de janeiro às 19h, apresenta o ativismo situado na intersecção entre arte, história e política. Repleto de elementos visuais e textuais, o filme começa abordando a história do feminismo russo através da filmagem de pinturas em uma galeria de arte, colocando o grupo dentro de uma perspectiva extensa de tradição de resistência política. A causa contra a qual se rebelam é embasada em vasto material de arquivo e entrevistas com figuras do establishment: o tratamento de outros dissidentes, atitudes restritivas às mulheres e a proximidade entre igreja e estado. Além disso, Act and Punishment apresenta os primeiros clipes da Pussy Riot, possibilitando a avaliação do quanto melhoraram ao trazerem músicos experientes para a equipe. As cenas de performance no filme são escassas, já que pouco delas sobreviveu — imagens capturadas em sua maioria pela polícia secreta. Mas enquanto alguns enfrentam críticas por se apropriarem de causas, para Pussy Riot o apoio foi bem-vindo e a visibilidade internacional ajudou o movimento.

Serviço:

29 de janeiro 

19h Exibição do filme Act and Punishment, de Yevgeni Mitta, sobre a trajetória do grupo Pussy Riot. Entrada gratuita com retirada de senha uma hora antes do início do evento. Sujeito a lotação. 20h30 Debate com participação de membros do Pussy Riot e convidados brasileiros. Mediação de Preta Ferreira. 21h Lançamento do livro Riot Days e sessão de autógrafos com Maria Alyokhina, autora e integrante do Pussy Riot.

Rua Vergueiro, em frente ao Centro Cultural São Paulo

30 de janeiro 

20h Show de Pussy Riot com Linn da Quebrada 22h15 Festa final comandada por DJ Kot (Rosemary loves a Blackberry), musicista do Pussy Riot. Música interdisciplinar, focada em pesquisa e sem quaisquer limitações formais ou estilísticas.