O poeta e criador da Cooperifa dedicou os prêmios a Favela do Moinho e ao Pinheirinho

São Paulo, SP – “Povo lindo, povo inteligente. É tudo nosso”. Esse é o coro, entoado , religiosamente, todas as quartas-feiras no Bar do Zé Batidão, na zona sul de São Paulo, onde acontece o Sarau da Cooperifa. Só que, nesta semana, ele foi antecipado para a terça-feira (24), quando o criador do sarau, o poeta Sérgio Vaz recebeu três troféus durante a entrega do Prêmio Governador do Estado 2011.

Nas categorias inclusão cultural, o poeta levou os prêmios Voto Popular e Júri Especial. E ainda no destaque cultural, recebeu o prêmio por conta do voto popular.

Neste aniversário de 458 anos os prêmios foram oferecidos, pelo poeta, a Favela do Moinho, onde ele esteve no último domingo (22) prestando solidariedade durante o #FestivalMoinhoVivo e por quem dedica o sarau da Cooperifa de hoje, para arrecadação de alimentos e roupas e também ao Pinheirinho, em São José dos Campos, onde várias famílias sofrem com a desocupação.

Questionado sobre a importância da premiação, Sérgio Vaz fala em coletividade. “São 23 anos de luta, de batalha pela cultura da periferia. Não é um prêmio meu, é da comunidade. De todos que representam a periferia. É um prêmio aos que sabem que briga tem hora para acabar e luta é para uma vida inteira. De coração, dediquei a favela do Moinho, do Pinheirinho, as favelas do Pirajuçara e Piraporinha, na zona de sul de São Paulo”, destaca.

Além do prêmio do júri, os artistas, grupos e instituições escolhidos pelo voto popular receberam o troféu elaborado pelo artista plástico Florian Raiss especialmente para o Prêmio Governador 2011. O site do evento na internet recebeu mais de 120 mil votos entre os dias 3 e 23 de janeiro.
Sérgio Vaz também foi o escolhido pelo voto popular na modalidade Inclusão Cultural (4.744 votos) e ainda recebeu o Destaque Cultural, pelo conjunto da obra, com 3.524 votos.

Durante o recebimento, Vaz reforçou a ideia de revolução cultural que está sendo feita pela periferia. “Estamos vivendo a mesma efervescência cultural que a classe média viveu nos anos 60/70 e por isso o momento é muito rico para nós. Como periférico, me sinto como estrangeiro nesse país. Enquanto o Brasil tiver homens e mulheres com mais de 60 anos que nunca leram um livro, foram ao cinema ou viram uma peça de teatro, é um país ilegal, sem alvará de funcionamento e sem licença para ser pátria. Muitos jovens morreram para que eu segurasse este trofeu”, dispara.

No total, o Prêmio Governador 2011 entregou R$ 520 mil entre todos vencedores, o maior valor distribuído por um governo estadual brasileiro em uma premiação do tipo. “O reconhecimento do trabalho realizado é um incentivo do Governo de São Paulo para estimular a produção cultural de qualidade”, afirma o Secretário da Cultura, Andrea Matarazzo.

Serviço – Mais informações sobre o prêmio podem ser acessadas no site http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=217519