Rincon Sapiência impressiona com crítica social cortante em novo videoclipe

Já ouviu falar em pobreza? Ela não morreu. Esse é o recado de “Ostentação à Pobreza”, o novo single do rapper Rincon Sapiência, que será lançado no dia 15 de maio e que promete surpreender aqueles já acostumados à sua veia irreverente. Dessa vez, ao invés de leveza, Rincon traz peso – mas sem perder o ritmo das suas inconfundíveis batidas. É assim que o Mc cria a atmosfera certa para introduzir um papo sério: na letra da faixa Rincon fala sobre as desigualdades gritantes e as condições desumanas de se viver na miséria, compondo uma das músicas mais ácidas do seu novo disco “Galanga Livre”, que será lançado no fim do mês.

 O clipe, dirigido por Marco Loschiavo com produção de Júlia Velo, é uma realização da Boia Fria Produções, e segue a intenção da música ao explorar um lado de Rincon que nunca havia sido exposto em seus clipes anteriores. Projeções, iluminação marcada e cortes secos, além de sua marcante atitude. Essa é a fórmula para um clipe que incomoda, mas que também fascina.

“Ficou fácil encontrar dinâmica de edição e a ordem das coisas. A parte artística sempre ocorre de forma quase que inconsciente, eu sinto que quando meu coração está lá a coisa anda”, diz Marco.

Na pós-produção, foram feitos desenhos frame a frame, e animações que dão personalidade para as cenas.

 O conjunto da obra põe em pauta o debate sobre a erradicação da pobreza no Brasil, que muitas vezes se deixa encobrir pelo discurso da ascensão da chamada nova classe média no país. Contrariando a ideia de que esse fenômeno tenha beneficiado igualmente as parcelas mais pobres da população, Rincon Sapiência nos convida a refletir sobre a persistência da pobreza. Para isso, o rapper constrói metáforas que descrevem a pobreza não somente como carência material, mas como ela está ligada a fatores determinantes para se instalar tanto nos grandes centros urbanos quanto nos confins mais remotos. Seja nas favelas metropolitanas, no sertão nordestino ou nas comunidades ribeirinhas, a negação de direitos essenciais como educação, saneamento básico e moradia digna se colocam como motores da miséria e do subdesenvolvimento numa sociedade em que se tem exaltado cada vez mais o consumo.

 Além de Rincon, o clipe também conta com a participação de vários amigos do rapper que foram convocados para fazer uma enorme roda de pogo e que não pouparam intensidade em suas atuações durante as filmagens realizadas no estúdio Casa 1.

“Até quebrou o estúdio. E era dessa energia que a gente precisava”, diz Júlia.

“Foi um clipe em que pude contar com uma produção executiva profissional. Três dançarinas experientes, coreografia, toda a banca de amigos pra fazer a roda de pogo, maquiadora ultra profissional e ambiente organizado”, diz Marco.

“Não é fácil levantar um clipe do zero. Mas com uma equipe incrível, um artista nato e uma parceria firmeza as coisas ficam muito mais fáceis. E dá vontade de fazer tudo de novo”, completa Júlia.

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