Resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas. E quais desses problemas não estão presentes na periferia?Não apenas esses mais muito outros. A periferia sangra, sofre, clama diariamente, no entanto, sua capacidade de luta, de dar a volta por cima, de se reconstruir, ressurgindo sempre mais forte das cinzas impostas pelo sistema, a faz ser o exemplo de persistência, a personificação de um povo que não se entrega. E, foi isso que o os rappers do SDR, como legítimos sobreviventes de rua que são, captaram perfeitamente e imprimiram em, Resiliência Periférica, sua mais recente música lançada no dia 01/12.

O som começa com a Rebeca Realleza destruindo tudo em um refrão totalmente emotivo:

“Vida que me fez sofrer,
Que me fez chorar ,
é a mesma que me faz amar e odiar,
só Deus sabe o que eu passei e o que ainda vou passar
mas sou gladiador não vou desistir de lutar”.

Já no clima de introspecção proporcionado pelo refrão, as rimas disparam o retrato da periferia e da luta diária de cada pessoa que é parte dela. E não apenas isso, mas trata também da capacidade de cada um dos membros do grupo de se recuperarem das pancadas da vida.

Se levarmos em conta também os últimos lançamentos do grupo, como por exemplo Melanina, vemos de certa forma uma resiliência do próprio rap do Sobreviventes de Rua que tem evoluído, se adaptado, mas mantido a sua essência intacta.

Particularmente acho essa uma da melhores músicas lançadas no Rap DF esse ano. Dá o play e não irá se arrepender.

Sobreviventes de Rua

Sobrevivente De Rua (SDR) é um grupo brasileiro de rap e hip hop formado na Ceilândia, Distrito Federal, desde 1997. Com mais de 17 anos de história é formado por Buda SDR, Preto Beto, Rebeca Realleza e Henrique EXP atualmente.