Idealizada por Toi e Dj Nene e apoiada pela Fundação Cultural de Uberaba a Batalha do Calçadão é o principal ponto de encontro da cultura Hip Hop em Uberaba/MG, mencionada pelo rapper Emicida, ela é reconhecida nacionalmente por ter sido reprentada na final do Duelo de MC’s Nacional pelo MC Capanga, o vice campeão da edição 2014.

Em um formato norte americano, o Cypher é quando os MC’s demonstram suas habilidades líricas em cima de uma batida aleatória, podendo ser previamente escrito ou feito na hora, o “improviso” como é conhecido no Brasil.

Produzido pela Queijo Minas/Fábrica de Sonhos juntamente com o apoio do rapper Toi e dos MC’s da Batalha do Calçadão a Cypher vem com a proposta de agitar a cena do Rap na cidade e propagar a atividade da rima pra que sempre apareçam novos MC’s dispostos a somar e contribuir para com o movimento.

Trazendo a tona rimas de efeito os 4 MC’s rimam sobre temas de extrema importância para a comunidade como a necessidade do Rap ser arma contra os atuais problemas vigentes na sociedade. Encabeçado pelo veterano da cena, o Cypher tem inicio com Toi entonando o bordão “microphone check, one two, one two / um louco por todos, todos malucos por um”, rimando sobre ser resistencia em um meio que vem sendo dominado pela cultura pop, o rapper que está próximo do lançamento de seu primeiro CD em parceria com o Dj Nene, encerra sua parte de forma categórica “o calo do sistema se resume numa treta / hoje nós mesmos somos donos das nossas empresas”, reafirmando a importância do trabalho independente que volte para as comunidades em forma de autonomia financeira. Na sequência o novo fenômeno das batalhas de MC’s Felipe FRT mostra que tem tudo para deixar de ser promessa e se firmar na cena, rimando logo nas primeiras linhas “fui manipulado em busca de entretenimento / e com o RAP tive restauração ao pensamento” em um jogo com a sigla R A P, o mais novo talento Uberabense demonstra não ser só mais um na famosa “massa de manobra” e ter bastante consciência do que está fazendo com o mic na mão. Continuando com o discurso politico, o rapper Mestiço em seu dialogo de auto afirmação, referencia logo no inicio grandes nomes da militância negra “viva mandela, fela, martin luther king, tupac, viva malcom x, marighella, zumbi, sabotage”, o jovem MC que acabou de lançar seu primeiro CD “Abençoado Seja o que Acredita em Si Mesmo”, mantém questões raciais e sociais durante toda sua parte, sendo ácido ao finalizar com a linha “ah branco dá um tempo, não tem desculpa / nossa resistência é pra incomodar o senhor de engenho” deixando bem claro que o inimigo que precisa ser combatido nos dias atuais não mudou desde a época dos engenhos. Finalizando com o MC Diego Chorão disparando ínumeras “punch lines” para à cena do Rap como na linha “a massa da massa não faz fumaça, é tipo assim / os que se intitula tudo bom nem é tão bom assim”, o MC que junto ao Capanga e Mestiço formam a primeira geração da Batalha do Calçadão, encerra sua parte com seu bordão clássico, terminando assim a primeira Edição do Cypher Calçadão.