Essa semana como todos já sabemos, mais um caso de estupro expôs a ferida de uma sociedade doente. Casos como esse nos leva à reflexão (pelo menos deveria) sobre o quanto contribuímos, mesmo de forma indireta e não intecional para que, esses atos horrendo continue se perpetuando.

E o quanto o Rap tem lutado ou ajudado nisso? Afinal, não é de hoje que o preconceito por vezes aparece em nossas letras. Mas, nós como fãs, ouvintes de Rap, o quanto temos combatido isso? Temos lutado para impedir que o próprio Rap seja instrumento de alienação e disseminação de ódio? O quanto temos comprado tais discursos sem ao menos perceber? E nós no papel de rappers, como formadores de opinião que somos, o quanto temos refletido sobre isso?

É nesse contexto que primeiramente Criolo aparece. Ao lançar o remake do álbum “Ainda Há Tempo” o rapper fez questão de alterar trechos preconceituosos.

“Era ignorância, né? Por falta de conhecimento da minha parte, usei algumas músicas esses jargões populares, alguns apelidos e palavras que não fazem sentido algum e só magoam as pessoas. Agradeço por ter tido a oportunidade de me rever e corrigir isso com a regravação. Nos shows eu já cantava a nova versão há três anos”, disse Criolo à Trip sobre as mudanças.

Após o terrível caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro e da luta feminina ter ganhado novamente os holofotes, essa mesma reflexão de Criolo (finalmente) voltou ao Rap. E ontem, o rapper Rato que essa semana, junto com seu parceiro Ralph, participou do Rap Box com o ótimo “Vale é o Cep” (clique aqui pra assistir), usou sua página do facebook para falar sobre o caso do estupro e machismo, reproduzo abaixo na íntegra. Vale a pena ler. É pura evolução.

Quando um jovem cresce numa sociedade machista, ele entende que é normal, e divertido, transar com uma garota dormindo.

Quando TRINTA jovens o fazem, vemos que não se trata de uma doença mental, e sim de uma sociedade adoecida.

Se todo homem, ainda que seja um grande pai, um grande marido… fizer um exame de consciência, vai lembrar que em diversos momentos da vida (principalmente em roda de boteco, em 3º tempo de futebol, etc…) tratou a mulher como objeto, e, colaborou, ainda que involuntariamente, para a formação dessa sociedade machista e doente.

Eu me incluo nisso!

Ao ler essa matéria do Criolo, diante desse terrível acontecimento com a garota estuprada por 30, fiz esse exame de consciência e vi o quanto estou adoecido tbm.

Diante desse bom exemplo do Criolo, faço aqui uma retratação em uma das letras do novo disco, A Rima é Ímã, lançado recentemente.

Na faixa, “O Medo e a Dúvida”, canto um verso que diz:

“…leva daqui essas “bitch”, e essas pulseira Vip,
Esses cão de minissaia acompanhado de bad trip…”

Quando fiz a introspecção pra compor essa letra, visitei um passado muito doloroso da minha vida. Um passado aonde eu me via em meio às prostitutas, cocaína, quarto de motel barato, enfim. A letra saiu como um expurgo, uma catarrada… sem perceber o quanto eu estava sendo machista.

Fica aqui o meu pedido de perdão a todas as mulheres, em especial: minha mãe, minha avó, minha esposa, minha sogra, minha enteada, minha sobrinha e minha cunhada.
Essa letra será alterada ao ser cantada ao vivo, uma vez que a música já está lançada e não posso alterar o passado.

Amigos homens, que possamos tbm mudar nossos pequenos maus hábitos, para que grandes coisas aconteçam em nossa sociedade.

Sigamos aprendendo com humildade!

Esperemos que essa atitude se espalhe pelo Rap. E fiquem com esse ótimo som: