O rapper paulista Gudoguetto começou nesse mês a gravação do seu novo CD, com título ainda não divulgado, e que terá cerca de 20 músicas, todas com produção independente. O álbum reúne canções novas e algumas de seu primeiro disco, lançado em 2011, e que era vendido nas ruas com capinhas de revistas recicladas, sem um preço fixo ou um tratamento técnico adequado: “Abatido mas nunca Destruído”, uma pré-produção com sete faixas gravada com estrutura escassa, muitas rimas e pouco recurso financeiro, contra tudo e quase todos, e que teve 5 mil cópias vendidas, de boca em boca, nas ruas.

Uma das novas composições do rapper é o single “O Dom Killuminati”, lançado em 14 de novembro de 2015, com muito trabalho e dedicação, e que fará parte do novo CD. Outra faixa inédita que fará parte do álbum é “Resistência”, que já está em processo de produção e mix/master de Deejay Kbça.

Nascido na cidade de Jaú, interior de São Paulo, o artista, que mantém outro trabalho para poder sobreviver, mostra nas suas letras forte crítica social e uma leitura ímpar da realidade nua e crua das ruas e da sociedade em que vivemos, além de sempre deixar expresso abertamente sua fé e confiança em Deus como a salvação da alma.

“Algumas músicas escrevi quando estava desempregado, morando na rua, no carro (na época eu tinha um) numa época de muita dificuldade em que cheguei até a passar fome”, conta Gustavo, o Gudoguetto. Citações que exemplificam essa dura realidade da falta de ter o que comer, por exemplo, podem ser vistas na faixa “Na Missão”, de 2011: “Estou vivendo de fé, estou comendo fé” ou “Para onde correr quando não há o que comer?”.

Gudoguetto, passou sua infância na zona oeste de SP, próximo ao Centro, embora longe da realidade da periferia naquela época e estudando em bons colégios, seu primeiro contato com o RAP foi em 1993, quando seu irmão mais velho lhe mostrou uma fita cassete com a gravação de “Fim de semana no parque”, dos Racionais Mc’s.

Aos 20 anos Gudoguetto foi morar com a mãe do seu filho Rafael na Favela do Buraco Quente, em Ermelino Matarazzo, Zona Leste de SP. A essa altura já tinha letras escritas, era amante da boemia e da rua onde sempre aconteciam espontâneas “rodas” de rap Freestyle. Após o término de um outro relacionamento, há cerca de 6 anos, Gustavo decidiu se dedicar mais ao Rap. “Neste momento da minha vida o Rap surgiu como uma avalanche e parecia que tudo o que eu havia vivido era para escrever rap”, conta.

Ex-jogador de basquete, esporte que praticou até os 22 anos, conquistando inclusive um bicampeonato estadual infanto e cadete, Gudoguetto também cita em algumas de suas composições a paixão pelo strettball (basquete de rua), além de críticas à comunicação de massa, à política e aos governantes corruptos.

O rapper, apesar de não se autodenominar gospel, sempre tenta passar uma mensagem positiva às pessoas e um convite a Deus e à espiritualidade em suas letras. “Creio que Jesus é a salvação e que o RAP é como uma missão, que nenhum dom é em vão. Estou sempre escrevendo, ouvindo, estudando, gravando ou divulgando o trabalho nas ruas”, conta.

Gudoguetto, que já teve problemas com drogas, tendo sido internado por três vezes, hoje vive limpo. ““Hoje vivo sóbrio, longe das drogas, tenho um trampo pararelo e uso boa parte do meu salário investindo em gravar meus sons e na minha música em geral”, explica.