Depois de quatro etapas que atravessaram a cidade e levaram a novíssima geração do rap carioca a se apresentar, em palcos profissionais e bem cuidados, no Imperator e em lonas e arenas da Prefeitura em Jacarepaguá, Madureira e Penha, o circuito 2016 da tradicional Batalha do Real chega à grande final, no dia 23 de novembro, no Circo Voador, quando quatro MCs, escolhidos entre os 16 rappers concorrentes, disputam o título de campeão da Batalha do Real. Xan, Xamã, Estudante e Pelé disputam, além de um prêmio em dinheiro, um título que é uma instituição do rap nacional e que já foi, antes, de nomes como Emicida, Marechal e Akira Presidente.

Para esta grande final, a Brutal Crew, organizadora do evento, preparou um pequeno festival de rap para o palco do Circo Voador, logo ali ao lado dos Arcos da Lapa, palco de 13 anos da Batalha do Real. A noite terá, como apresentadores, os rappers Maomé, Marechal, Nissin Oriente e Negra Rê, som comandando, em pick-ups, por DJs que são icônicos na cena, como LP, Babz Brutal, Negralha e Saddam, e shows de Batoré e Papatinho, De Leve, Filipe Ret, MC Coé, Funkero, 3 Preto e Akira Presidente. Um pequeno retrato da cena hip hop no Rio de Janeiro.

A Batalha do Real foi contemplada pelo programa de fomento da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do edital Viva Arte. As batalhas são feitas sobre bases criadas para a Batalha do Real pelo produtor musical Babz Brutal, com beats criados por produtores que assinam faixas dos maiores rappers do Brasil, como Mr Break, Dj Machintal e Goribeatzz. O cenário das batalhas valoriza outro elemento da cultura hip-hop, a arte de rua, e é feito com material reaproveitado e sustentável, tudo assinado pelos artistas Felipe Bardy e Fábio Ema.

As batalhas são realizadas no formato um contra um, o tradicional mata-mata. Cada MC tem dois rounds de 45 segundos para fazer suas rimas, no esquema de desafio no qual um MC responde ao outro, com curiosas e divertidas provocações de agilidade mental que são o charme da Batalha da Real. A regra é clara: não vale xenofobia, contato físico ou ofensas ao apresentador e ao DJ. A Batalha do Real também não tolera homofobia. O vencedor é sempre escolhido pelo público presente. Um formato 100% carioca que inspirou Criolo a criar a Rinha dos MCs, em São Paulo.