O Planet Hemp disponibilizou nessa sexta-feira, 22 de dezembro, um documentário que retoma o caminho que acabou levando o grupo à prisão em 1997, em Brasília. 

Com direção e roteiro por Matias Maxx e direção de arte e edição a cargo de Felipe Benoliel, o curta monta uma linha do tempo com imagens de reportagens e shows, contando as repressões sofridas pelo grupo e o avanço que o Brasil caminha para a descriminalização. 

Episódios de repressão ao Planet Hemp dão-se desde 1995, mas se intensificam em 1997, quando após ter vários shows cancelados e CDs recolhidos, os integrantes da banda são presos, passam cinco dias encarcerados e incendeiam o debate sobre liberdade de expressão e política de drogas, em um país recém saído da ditadura.

A prisão deu muita visibilidade à banda e ao debate sobre a legalização da maconha. Na década seguinte, o caso influenciaria não só outras bandas, como toda uma geração, que citando as letras de “Legalize Já” e “Não Compre Plante”, na internet ou nas marchas, mantiveram aceso o debate sobre a legalização da maconha. Essa movimentação gerou repressão, sobretudo às marchas, que chegaram a ser proibidas pelos Ministérios Públicos e foram palco de lamentáveis cenas de brutalidade policial.

A discussão da legalidade da Marcha da Maconha chegou ao STF, que declarou sua legitimidade em 2011, em uma audiência histórica, na qual a prisão do Planet Hemp foi citada como uma “interferência brutal do processo de produção intelectual e artística”. Mais uma comprovação que a história do Planet Hemp e da luta pela legalização da maconha no Brasil, caminham juntas e se retroalimentam.

Na década presente o Brasil, acompanhando uma tendência mundial, passou a discutir e regulamentar o uso da maconha medicinal. As mudanças, no entanto, acontecem longe das esferas legislativas, e sim através de iniciativas da sociedade civil no judiciário, que em suas últimas decisões vem garantindo salvo condutos e habeas corpus para usuários medicinais cultivarem maconha em casa. Por conta dessa luta diária, que atravessa gerações, ativistas repetem os versos do Planet Hemp, “Nossa vitória não será por acidente”.

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