Outras portas, outras pontes”, da Cia. Sansacroma, torna-se itinerante e promove diálogo cultural entre o Capão Redondo e cinco regiões da cidade de São Paulo

Circulação acontecerá na Lapa, Cidade Tiradentes, Grajaú, Perus, Heliópolis e centro, no Edifício Copan. Objetivo é elucidar ligações ancestrais entre os locais.

Em um primeiro momento, o olhar sobre o apartheid “gentil” existente no Brasil, quando negros operários são tratados com sub-cidadãos e os espaços físicos geram separações. No segundo, a dança e o texto mostram quando a consciência desta separação torna-se indignação e é transformada em materialidade poética, explorando questões como herança cultural e identidade do brasileiro. Este é o espetáculo “OUTRAS PORTAS, OUTRAS PONTES”, da Cia Sansacroma, que volta em cartaz, desta vez itinerante. Serão 16 apresentações distribuídas em cinco bairros paulistanos: Lapa, Cidade Tiradentes, Grajaú, Perus, Heliópolis e na região central da cidade, no Edifício Copan. A reestréia está marcada para os dias 28, 29 e 30 de janeiro de 2014, às 20h, no Tendal da Lapa (Rua Constança, 72 – Lapa), com ENTRADA FRANCA. O espetáculo tem apoio da 15º Edição do Programa do Fomento à Dança

Com direção artística de Gal Martins (Prêmio Denilto Gomes 2013 na categoria Difusão da Dança, concedido pela Cooperativa Paulista de Dança), direção coreográfica de Yaskara Manzini, e trilha sonora composta pelo multi instrumentista Cláudio Miranda, da banda Poesia Samba Soul e os músicos Zinho Trindade e MC Gaspar, “Outras portas, outras pontes” abarca dois momentos: uma caminhada cênica no entorno do Tendal da Lapa com termino nas dependências do Tendal. “A ideia é que seja uma singela homenagem crítica do Capão Redondo ao bairro da Lapa, onde essas realidades se cruzam em suas especificidades, como suas ancestralidades se completam e se contemplam”, explica Gal Martins.

A Lapa para nós é uma cidade a parte da cidade de São Paulo, assim como o edifício Copan que também foi escolhido para essa circulação, a Lapa tem uma característica provinciana, que muito nos chama a atenção. A escolha se deu por esse principio tradicionalismo, identidade e diversidade cultural marcante. Acreditamos que o diálogo entre as características da ancestralidade apresentada no espetáculo proporcionará um diálogo e uma mistura interessante que nos leva para um lugar especial, poético eu diria”, complementa a diretora.

Itinerância do espetáculo surge da necessidade

de traçar uma trajetória dramatúrgica

O espetáculo, antes concentrado nas ruas do Capão Redondo, extremo sul da cidade, tornou-se itinerante pela própria essência da peça, onde seu processo criativo abrange desde o resgate da ancestralidade africano-nordestina até o olhar sensível sobre as questões político-estéticas que permeiam a cultura periférica, dialogando diretamente com a pesquisa estética atual que a Cia vem desenvolvendo a cerca de dois anos que Gal Martins nomeia de: “Dança da Indignação”.

Nesse processo, as indignações identificadas partiram principalmente dos espaços urbanos e comuns aos próprios bailarinos, moradores de regiões periféricas da cidade, lugares onde emergem causas e bandeiras sociais, políticas e poéticas. Segundo Martins, é na rua que essas indignações brotam, e onde as pessoas têm a possibilidade de gritar e expurgá-las. A itinerância do espetáculo surge da necessidade de traçar uma trajetória dramaturgia da história do bairro do Capão Redondo, mas principalmente como essa história dissipa e dialoga com a questão do apartheid social, fazendo assim uma relação com o apartheid da Africa do Sul, local e situação de onde surge a lenda do pássaro que dá nome a Cia – Sansakroma – , uma espécie de gavião que protegia as crianças sul africanas nos massacres provocados pelo Apartheid.

Bailarinos fazem aulas de Parkour

Os bailarinos da Cia. Sansacroma participam de uma preparação corporal com técnicas de Parkour, uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto. O objetivo é explorar a arquitetura dos lugares com mais possibilidades cênicas e coreográficas onde o espetáculo estiver, já que na primeira parte do espetáculo o elenco realiza uma caminhada cênica nas ruas, sempre acompanhada pelo público.

FICHA TÉCNICA

Direção Artística e Concepção: Gal Martins Direção Coreográfica: Yáskara Manzini Interpretes Criadores: Rafael Edgar, Tamires Ballarini, Thaís Antunes, Renato Alves, Bárbara Santos, Alex Guimarães e Thiago Silva Participação Especial: Luamim Martins Preparação Corporal: Bruno Peixoto, Edson Fernandes, Robson Lourenço, Valéria Mattos e Yáskara Manzini Ensaiador: Thiago Silva Trilha Sonora: Cláudio Miranda, Zinho Trindade e Mc Gaspar Projeto de Luz: Alex Guimarães Operação de Luz e Som: Bruno Feliciano Figurino e Adereços: Mariana Farcetta Direção de Produção: Selene Marinho Produção: Radar Cultural Coordenação do Projeto de AproximAção com o Público: Valéria Ribeiro Estagiária:: Tamisa Betina

Serviço

Espetáculo: “Outras portas, outras pontes”

Dias: 28, 29 e 30 de janeiro de 2014 (terça a quinta-feira 20h)

ENTRADA FRANCA –  Público máximo: 50 pessoas – senhas distribuídas com antecedência de 30 minutos na porta do Tendal da Lapa. Em caso de chuva não haverá espetáculo.

Local: Tendal da Lapa – Rua Constança, 72 – Lapa (próximo a rua Guaicurus)

Duração: 90 minutos

Classificação etária: 14 anos