“Isso não é uma diss, parça
Isso é pra quem disfarça”.

Wzy, rapper com deficiência visual, aproveitou o hype da pedrada “Modo F” do Coruja BC1 para trazer uma pauta não tão vista no Rap e importantíssima: os direitos e o respeito aos deficientes.

Hoje dentro do Rap há um movimento crescente que combate o machismo, o racismo e preconceitos existentes dentro da própria cena, no entanto, os holofotes não chegam às “pessoas com deficiências” ( apesar de não gostar dessa expressão, esse é o termo correto segundo o Decreto Legislativo n. 186, de 9/7/08, do Congresso Nacional). Não apenas isso, tais problemas sofridos por essas pessoas têm sido usados como punchilines, como o verso do Coruja (sim eu sei o contexto do filme), ou como Baco rimou no Poetas do Topo 2Querem ser Gengis Khan, mas cês só são mongol“. E, é contra isso que Wzy dispara em alta qualidade. Ele fala um pouco sobre a música:

“Isso está longe de ser uma diss, muito pelo contrário, admiro o trabalho do Coruja e do Emicida. Inclusive foram as rimas deles enaltecendo a autoestima do povo preto que me fez pensar por que ninguém faz os mesmo com os deficientes. Achei esse som a oportunidade perfeita para levantar o questionamento sobre a ausência dos deficientes no RAP.”

Modo F (FreeVerse) é uma ótima porta de entrada para que no Rap comecemos a debater e combater não apenas a exclusão das pessoas com deficiências, mas à romantização constante de problemas patológicos em letras como, a bipolaridade, esquizofrenia,  depressão e etc.

Dá o play no som que vale a pena!

“Vocês que não entendem, deixa eu ser franco
Pra nóiz até um preto pode parecer um cara branco”.