Interessadas no fortalecimento coletivo e com o objetivo de apoiar o goleiro Aranha, do Santos, pessoas sem o mesmo nível de exposição midiática, mas que enfrentam batalhas iguais diariamente, se uniram e criaram a fanpage “Sou Mais um Aranha”, no Facebook. A campanha foi lançada na noite de segunda-feira (22) e, em um dia, reuniu 70 vídeos, além de gravações não centralizadas e publicadas com a hashtag #SouMaisUmAranha.

Em partida pela Copa do Brasil entre Grêmio e Santos, o goleiro sofreu ofensas pela torcida gremista, que se posicionava atrás do gol de Aranha. O jogador não se intimidou e protestou, pedindo que as câmeras de TV registrassem o ocorrido. Em uma das cenas a torcedora Patricia Moreira é flagrada chamando o jogador de “macaco”, palavra, aliás, compartilhada por dezenas de torcedores, que, até agora, não sofreram qualquer tipo de acusação.

Após o ocorrido e imensa polêmica em toda a imprensa, somente Patrícia foi chamada para prestar depoimento à polícia. Em conversa com a imprensa, o advogado da torcedora, Alexandre Rossato, declarou que “Macaco, no contexto dentro do jogo, não se tornou racista. Isso se torna um xingamento dentro do futebol. As próprias mães dos árbitros são xingadas historicamente”, afirmou. Na última semana o Santos voltou a enfrentar o Grêmio, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. A postura agressiva e preconceituosa da torcida gremista em relação ao goleiro se manteve. Após o jogo, Aranha declarou à imprensa: “Eu não tenho que ficar abaixando a cabeça. Como eu já disse, muita gente morreu, muita gente apanhou, muita gente lutou bastante para que os negros tivessem direitos. Já que a gente conseguiu, a a gente tem que fazer prevalecer”.

Na fanpage, diversas pessoas de diferentes classes sociais e profissões, externam sua indignação não só contra o fato em si, mas também contra o racismo no Brasil. “Na família, nos amigos, no movimento político, cultural, educacional. É na coletividade que fortaleceremos e alimentaremos nosso indivíduo para encarar as tentativas diárias de quebra da autoestima, senso crítico e de nos desencorajar diante do direito de ter direitos e de fazer valer a lei”. A iniciativa é um fortalecimento para quem sobrevive e encara o racismo todos os dias. Aranha não está sozinho”, diz um trecho do texto.