Quando puxo na memória o que eu escutava em 2006, me vem lembranças de vários sons como, “Castelo de Madeira” de A Família ou o lançamento do “Aviso às Gerações” do GOG, entre rap’s de anos anteriores que ainda ecoavam.  Foi um ano de músicas boas. Mas, um verso esperançoso em especial me chamou atenção naquele 2006:

”As pessoas não são más, mano, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.”

E ali eu conhecia o cd “Ainda Há Tempo” que, para nossa felicidade, está de volta. E hoje o Jornal do Rap bate um papo com Criolo sobre o retorno triunfante desse álbum, que volta com uma nova roupagem, mas com as ideias fortes de outrora. Um trabalho feito há dez anos que continua atual.

JDR: Agradecemos pela oportunidade de falar sobre esse álbum que temos curtido bastante. Você tem alguma música preferida nele? Alguma que te toca mais que as outras?

Criolo: Todas são muito especiais pra mim, foram vários momentos da vida em que essas musicas foram nascendo. Tem música de 15, 20, 10 anos atrás, então tudo é muito especial pra mim.

JDR: Naquele 2006 o que mais te inspirava para lançar a primeira versão de “Ainda há tempo”? E o que te inspirou a relançá-lo?

Criolo: Na verdade, tinha 18 anos que eu já cantava rap. E em 2001 eu comecei a imaginar que podia lançar um disco, mas era na ideia de reunir as músicas, prensar no cd e mostrar pros amigos. Eu era cheio de esperança,  de passar o som pra frente e hoje continua essa energia, de jogar energias pro mundo, somar de alguma forma com o mundo.

JDR: Você já tinha essa ideia do “remake” há muito tempo ou foi algo recente?

Criolo: A ideia era criar um momento para celebrar os dez anos do meu primeiro álbum e naturalmente com o tanto de pessoas que começaram a se envolver e dar suas energias nessa ideia, veio a oportunidade de fazer um outro registro fonográfico.

JDR: As músicas desse álbum são bem críticas, como você acha que ele se encaixa na atual realidade do país?

Criolo: É um álbum que divide muitos sentimentos, muitos sonhos. Um álbum que escancara muita coisa errada que acontece no Brasil há muito tempo. Mas também é um álbum que fala de esperança, de fé e da importância de se acreditar cada vez nas coisas boas que o ser humano é capaz de construir.

JDR: Breáco dispara: “Só pode falar de vida quem vive/ só pode falar de sofrimento quem sofre/ só pode falar de amor quem ama/ só pode falar de flow quem desenvolve”. De 2006 para cá muita coisa mudou no Rap, sair do que esses versos diz seria uma forma de se corromper no Rap?

Criolo: Esse refrão fala da importância de se respeitar a vivencia de cada pessoa, porque todos vivem, todos tem sentimentos, todos tem capacidade para amar e todos desenvolvem suas expressões dentro daquilo que faz sentido.É um refrão de respeito a cada cidadão.

JDR: Pra finalizar, apesar de não ser propriamente sobre o álbum, nós do Jornal do Rap, somos de Brasília, mais precisamente da Ceilândia e, sempre tivemos a vontade de perguntar quais são os rappers do DF que te inspiraram? Você já cantou junto com o GOG, como é essa sua relação com o Rap daqui?

Criolo: É tanta gente, GOG, Cambio Negro, Dj Rafa e os Magrelos, Viela 17 e tanto nomes que são espelhos e são referência pro Brasil todo. Quem tá envolvidão no rap há muito tempo sabe a importância desses nomes. Tenho uma relação de muito respeito e recentemente tenho acompanhado a batalha do museu, é o rap crescendo e se desenvolvendo de varias maneiras em Brasilia, e isso é muito bom e a gente celebra isso. Tive o prazer de participar de um show do GOG, isso pra mim e pro DJ Dandan foi uma honra muito grande. Eu nunca vou esquecer o dia que eu e Dandan vimos a capa do álbum “Vamos apagá-los com o nosso raciocínio”, isso influenciou muito a gente.

O álbum está disponível em streaming: iTunes  Spotify Deezer Google Play

Perfil

Kleber Cavalcante Gomes, nascido na cidade de São Paulo em 1975, é conhecido como o rapper Criolo. Em 2006 lançou seu primeiro álbum “Ainda Há Tempo”.

Site Oficial: http://www.criolo.net/

Ficha técnica:

CRIOLO – “AINDA HÁ TEMPO”

 Oloko Records, 2016

01 – É o Teste (prod. Nave)
02 – No Sapatinho (prod. Renan Saman e Filiph Neo)
03 – Chuva Ácida (prod. Sala 70)
04 – Tô Pra Ver feat. Rael (prod. Grou)
05 – Breáco (prod. Deryck Cabrera)
06 – Até Me Emocionei (prod. Sem Grana)
07 – Demorô (prod. Papatinho)
08 – Vasilhame (prod. Tropkillaz)
09 – Ainda Há Tempo (prod. Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral)

Todas as músicas são de autoria de Criolo com exceção de “Até Me Emocionei”, Criolo e Dj DanDan.
Direção Musical de Daniel Ganjaman
Gravado e Mixado por Fernando Sanches e Daniel Ganjaman no estúdio El Rocha
Masterizado por Fernando Sanches no estúdio El Rocha
Direção Artistica: Daniel Ganjaman e Beatriz Berjeaut
Direção de Arte: Pedro Inoue
Fotografia: Gil Inoue