Assim como a bossa nova ou o samba, o hip hop já pode ser considerado uma das marcas culturais do Brasil, afirmou nesta quinta-feira o assessor especial para esse movimento artístico da Secretaria de Estado da Cultura de Sao Paulo, Marcio Santos. “Hoje o hip hop brasileiro é uma marca do país. Quando os governos discutem políticas públicas, o hip hop é uma referência no Brasil, porque é uma cultura que salva vidas”, disse Santos em entrevista à Agência Efe. Na função desde 2008, Santos ocupa um cargo que, segundo ele, quase não existe no Brasil: assessor especial de Cultura hip hop em um governo regional.

Assim como os “guetos” de cidades como Nova York e Los Angeles, o movimento hip hop brasileiro surgiu nas ruas da periferia e do centro de São Paulo em 1984, com a divulgação do ‘breakdance’.

O período foi importante para a formação e ocupação dos ‘rappers’ e dançarinos na estação São Bento do metrô de São Paulo, lugar onde surgiram bandas e artistas como os já consagrados Racionais Mc’s.

Passados 30 anos desde o início desse movimento, Santos lembrou que atualmente “70% dos jovens paulistas está vinculado de alguma forma ao movimento hip hop”, integrado por quatro elementos: a dança, o MC, o DJ e a cultura do grafite.

Apesar de a inspiração das comunidades negras brasileiras terem sido as americanas, para Marcio Santos, o Brasil, segundo país do mundo em importância nesta cultura, tem seu próprio perfil.

“Nosso hip hop é totalmente diferente do americano. Recebemos a cultura de lá pela questão negra e porque ela discute a política étnico-racial. Mas no Brasil ele tem suas próprias características, se mistura com o samba e ritmos regionais”, contou.

Um exemplo é Zé Brown, rapper de Pernambuco que incorporou a cultura dos trovadores e repentistas do nordeste e estará presente no sábado no 8º Encontro Paulista de Hip Hop no Memorial da América Latina.

Para Santos, o hip hop não é apenas um “simples movimento”, e sim um “universo” que inclui a luta política e reivindicações sociais em comunidades marginalizadas.

“Digo sempre que o hip hop é um salva vidas que apresenta a cultura a jovens que poderiam ter optado pelo mundo do crime ou das drogas. É um movimento que dá voz à juventude e obrigatoriamente tem que ser levado em conta para decidir políticas públicas”, avaliou.

As principais referências em termos de música dentro do movimento hip hop são Criolo, Rashid, Emicida e Racionais Mc’s.

O caminho traçado por esses músicos e outros artistas do movimento será gravado no sábado, no encontro paulista de hip hop, com shows, debates, apresentações artísticas, acrobacias e o lançamento do livro “Favela Toma Conta 2 – A Literatura e o Hip Hop Transformaram Minha Vida”, de Alessandro Buzo.

Fonte: Yahoo! Noticias