Conhecida como  “Cidade do Aço”, por abrigar a Companhia Siderúrgica Nacional, o município de Volta Redonda tem visto nascer, e se sobrepor à alcunha de polo industrial fluminense, um efervescente movimento cultural que tem revelado bandas que navegam por entre as caixas de som dos PCs e os fones de ouvidos dos cerca de 300 mil habitantes do município. É o caso do grupo de hip-hop DM 710, que se prepara para o lançamento do álbum de estreia, após alguns singles bem sucedidos nos meios independentes.

As letras do novo álbum trazem referências literárias, cinematográficas e políticas – referências estas absorvidas pelo viés da cultura pop que, por sua vez, desmontam padrões através da dura poesia que permeia a conturbada relação proletariado e riqueza/mais-valia e diferenças de oportunidades e modos de vida – sempre presentes na temática rapper.

Essa, aliás, é uma realidade bem conhecida pelos quatro amigos de infância que se conheceram no bairro/comunidade de São Geraldo e que, em 2015, resolveram criar o DMRap. Nicholas, Ruan, Fábio e Felipe, mais representados por seus apelidos rappers, respectivamente BH, MK, FT e Pigmeu, começaram de forma despretensiosa, quase uma brincadeira, escrevendo algumas letras baseadas nas mensagens e na vivência que gostariam de expôr – espécie de catarse que acabou levando a gravações em estúdio, sob a tutela do produtor Beatmaker Filemon.

O som visceral e as letras fortes cantadas pelo quarteto, que na banda atuam como vocalistas e compositores, chamaram a atenção e os rapazes passaram a se apresentar em pequenas apresentações pelas comunidades da cidade. Pegaram a estrada, chegaram a outras regiões do Rio de Janeiro e abriram shows para grupos mais conhecidos no meio rapper.

Com a experiência e o amadurecimento, o DM710 passou a entender o rap como missão – e o que antes era quase um passatempo acabou tornando-se meio de vida.

“Foi muito importante porque nos deu a consciência do rap e do hip hop como importantes ferramentas de chamamento e modificação social, capazes de influenciar pessoas e promover mudanças positivas em suas vidas”, diz Nicholas BH.

“O nome da banda, DM, representa isso”, diz ele. “Além de representar a praça Domingos de Maia, onde nasceu o grupo, é uma sigla para Direta Mensagem, que é o que pretendemos passar pra galera com a nossa música”.

O 710 é uma junção dos números do ônibus São Geraldo, que remete à infância dos quatro e é também uma tag usada há muito tempo pela antiga geração de MCs e de grafiteiros do bairro onde Nicholas, Ruan, Fábio e Felipe cresceram.

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