Na última sexta-feira três personagens importantíssimos da cultura Hip-hop se encontraram no DF no primeiro “Ruas Convida“: Djonga, um dos nomes mais influentes do Rap atualmente, a icônica Ceilândia, cidade essa que é simplesmente um dos berços do Rap Nacional. E o terceiro personagem, a Praça do Cidadão, onde fica localizado o Jovem de Expressão, palco de transformações para centenas de jovens. Essa combinação trouxe uma das festas mais bonitas que tivemos esse ano.

Um dia desses eu conversava sobre como Brasília foi planejada para manter o povo afastado. Fica distante das quebradas, após a meia noite não há mais transporte público, os preços são altos, entre outras coisas que faz com que pessoas passem a vida toda por aqui e não conheça os famosos cartões postais da Capital. E mesmo assim o número de shows de Rap realizados nessa cidade que não nos quer por perto, tem crescido. Não que seja algo ruim, ocupar é importante. Mas, e as quebradas que respiram o Rap, também não merecem?

O coletivo Ruas Convidou. A quebrada compareceu e foi vísivel como Djonga se identificou. Uma ótima estrutura foi montada e bem organizada, com destaque para aquele som limpo batendo forte, e o resultado não poderia ter sido melhor: um show histórico.

 

Outras atrações passaram pelo palco, os Djs não deixaram ninguém parado, a galera do charme que já tem aquela praça como casa puxaram os passinhos, nossa pérola ceilandense, Rebeca Realleza, também fez uma linda participação.

Djonga, diante de tantos “meninos que queriam ser deuses”, entoou seu maiores sucessos sendo acompanhado por um público que cantou junto, dançou, pulou e fez questão de gritar a plenos pulmões “fogo nos racistas” e “Eu acho engraçado um racista baleado“! A roda e o coro de vozes que dominou o local é a prova de o quanto o saldo do evento foi positivo para os fãs.

Uma fala do Max Maciel no palco ficou ecoando “a gente sempre sai daqui pra ir curtir lá (Plano Piloto), mas isso vai mudar, se eles quiserem curtir vão ter que começar a descer para cá (Ceilândia)”. Repito, Ceilândia é um dos berços do Rap e não pode de forma alguma aceitar um papel menor que esse. Por isso esse tipo de iniciativa é essencial, por isso todos os produtores locais são tão importantes e merecem nosso total apoio e respeito.

Sexta-feira, dia 06 de Julho de 2018, foi um dia “Atípico” se é que me entendem.

“Ó, essa vai pra quem pensou que nós tá fraco, uô o terror voltou.”

Confira o Resumo em vídeo que o JDR preparou:

 

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