A Boitempo lança em março a premiada pesquisa de Roberto Camargos, Rap e política, sobre mais de 10 mil composições produzidas a partir da década de 1990 por todos os cantos do Brasil. O livro é plural e se estende dos Racionais MC’s, Thaide, MV Bill, Rappin’ Hood e Marcelo D2 até os rappers maranhenses, goianos, baianos, mato-grossenses, gaúchos, pernambucanos, paulistas do interior, mineiros, catarinenses, brasilienses.

Roberto parte da origem em comum às músicas – as experiências históricas e sociais de uma comunidade musical ainda hoje marginalizada – para falar sobre o rap como expressão política que modifica e dialoga com o cotidiano de jovens brasileiros.

Em seu primeiro livro, Roberto Camargos, pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia, se debruça sobre mais de 10 mil composições de temas variados, produzidas no país desde a década de 1990 até os dias de hoje, para introduzir o leitor a esse universo em expansão de intenso diálogo da música com a vida social, uma espécie de “raio-x do Brasil”. Camargos mostra o rap nacional – dos Racionais MC’s aos rappers maranhenses, goianos, baianos e de outros rincões brasileiros – como um fenômeno que supera a música feita para e pela indústria cultural, para se tornar uma forma ativa de engajamento social e resistência. As composições têm em comum a sua origem: experiências históricas e sociais de uma comunidade musical ainda hoje marginalizada.

“Interessado em observar o mundo ‘de baixo para cima’, e não dos mesmos lugares de poder de sempre, Roberto Camargos explica com sutileza por que é que o rap (entre outros vários gêneros musicais, digamos, populares) incomoda tanta gente, irrita tanta sensibilidade, exaspera tanto crítico musical e insulta tanto senso comum ‘de cima para baixo’ – mesmo hoje, 2015, depois de décadas de acúmulo histórico e de adventos fora-e-dentro da indústria cultural como os dos ícones pop Criolo e Emicida”, aponta o jornalista Pedro Alexandre Sanches, na orelha do livro.

livro_roberto_camargosTendo despontado nos Estados Unidos no fim da década de 1970, trazido por imigrantes jamaicanos, o rap se caracterizou como um gênero musical produzido por jovens pobres que buscavam uma forma de compartilhar suas vivências. Difundido por diversos meios de comunicação de massa, além de filmes e discos, chegou ao Brasil em meados dos anos 1980, quase simultaneamente em diversas cidades. De lá para cá, o gênero inicialmente visto sob o prisma da apropriação cultural foi totalmente convertido em modo de expressão e atuação política de setores da nossa sociedade.

Na pesquisa de Roberto Camargos, as músicas convertem-se em documentos por meio dos quais é possível pensar e refletir sobre uma época, desdobramento de uma postura que, no lugar de traçar uma história dos objetos e das práticas culturais, lança-se na direção de uma história cultural do social. O livro se divide em sete capítulos: “Duas ou três palavras sobre o rap”; “Diálogo com as críticas”; “A construção do sujeito engajado”; “Política e cotidiano”; “Tribunal da opinião”; “Representações, experiências, verdades” e “Poéticas do vivido”.

Superando o questionamento raso sobre a legitimidade do rap e do hip hop enquanto manifestações culturais, Rap e política se concentra no amálgama de visões, sentimentos e concepções de mundo articulados por vários sujeitos sociais em um trabalho de refiguração da experiência. “O que me chama a atenção é o modo como o rap modificou o cotidiano de jovens brasileiros, que passaram a se interessar por essa linguagem e a dialogar com ela”, destaca o pesquisador. “Por meio do rap e de seus interlocutores – pessoas comuns e trabalhadores –, ganha corpo uma intrigante interface entre história, cultura, sociedade, protesto social e vida cotidiana”.

Ficha técnica

Título: Rap e política: percepções da vida social brasileira no rap
Autor: Roberto Camargos
Orelha: Pedro Alexandre Sanches
Prefácio: Adalberto Paranhos
Páginas: 192
ISBN: 978-85-7559-426-1
Preço: R$ 34,00
Ano: 2015
Editora: Boitempo

Confira o livro no site da editora: BOITEMPO